terça-feira, 20 de dezembro de 2011

A Canção dos Homens


E se pudessemos aprender a nossa canção, como seriamos???

Paz e Guerra coexistem em nossos corações...

Tudo depende de qual dos caminhos desejamos trilhar!!!

O Herói luta pela Paz Interior...

A Hora é Agora...

Pax e Lux !!!

domingo, 9 de outubro de 2011

A Pequena Onda Perdida


Certa vez existiu uma pequena onda que havia se tornado cansada, inquieta, desgastada por suas idas e vindas entre o horizonte e a costa. Um dia, ela ouviu falar sobre um Grande Oceano onde não havia perambulações inquietas à mercê da marés, onde tudo era quieto e cheio de amor. Um enorme desejo surgiu em si para encontrar este lugar pacifico, mas ela não sabia por onde começar.

“Você o caminho para o Grande Oceano?”, ela perguntava às outras ondas conforme elas passavam. Uma certa onda, uma anciã que estava muito oprimida com algas marinhas, disse-lhe: “Eu ouvi que se nós formos ondas muito bondosas e gentis, e vivermos vidas muito, mas muito boas, então quando morrermos, o Grande Oceano é onde nos encontraremos”. “Vocês estão todas iludidas, não existe tal coisa como esse Oceano”, adicionou cinicamente uma onda redemoinho.

“Ei! Venha comigo!”, chamou uma onda fresca com uma voz amigável. “Eu conheço uma onda sábia que, na verdade, esteve nesse Grande Oceano e o conhece bem. Eu vou apresentá-la a ela!” E então eles se foram.

Quando estavam saindo um onda rosnou: “Crianças doidas! Por que não estar contente com aquilo que vocês tem?”

Rapidamente elas chegam à morada da onda sábia.

“Por favor, onda sábia, você pode me mostrar o Grande Oceano?”,  suplicou a pequena onda.

“A sábia começou a gargalhar em profunda e mornas rajadas de vento que lançaram borrifos de água saltando através da superfície. “Minha criança, o que você imagina que o Grande Oceano é?”

“Eu ouvi dizer que é uma lugar maravilhoso, cheio de beleza e alegria, que lá há amor e paz eterna”, tremeu a pequena onda.

A sábia onda riu um pouco mais. “Você está buscando por este Grande Oceano, amiguinha, mas você é o próprio Oceano! Que engraçado você não estar consciente disto!”

Isto fez a pequena onda ainda mais confusa e um pouco irritada. “Como isso pode ser? Eu não vejo nenhum oceano. Tudo o que eu vejo são ondas, ondas e mais ondas!”

“Isto é porque você pensa que você é uma onda”, a sábia onda sorriu.

Com isso, a pequena onda explodiu-se contra uma rocha, ali perto em frustração. “Eu não entendo nada do que você está dizendo! Você pode ou não pode me mostrar o Grande Oceano?” Ela pressionou impacientemente.

“Está bom, está bom, amiguinha determinada”, diz a sábia onda, mas – antes que eu o faça, você se importaria de mergulhar aqui embaixo e massagear meus pé doloridos?”

A pequena onda mergulhou... E desapareceu enquanto onda.

Naquele momento, ela descobriu o que o Grande Oceano não era diferente de si mesma, e que de fato, ela era o próprio Grande Oceano – que ela estava simplesmente sonhando que era uma onda individual.

Sabendo disso, ela desfrutou do jogo da dança como cada uma e todas as ondas – em imensas e eterna Alegria. Fonte: Mooji

Reflexões
O conto acima, descreve a nossa busca heroica pelo Sagrado, pela Unidade ou Atman. O Herói parte em uma Jornada de auto descobertas, em busca de um objeto de poder, um amuleto, um conhecimento ou terra mítica. Tal como a alma  ou individuar-se ele empreende uma longa e rica jornada em busca do (des)conhecido,  ele julga que a sua busca deve estar fora de si mesmo, em algum lugar longínquo e mágico, a sua “terra prometida” que de um completo desconhecido, tornar-se alguém, um Herói, horado e conhecido, quando regresso a sua pátria. Ocorre que a Jornada impõem sérios desafios, para aquele que parte em busca do “bem amado” do Atman ou Alma Universal, ele encontra mestres e aliados pelo caminho, que o auxiliam em sua Jornada, mas em algum momento atravessaremos o limiar da morte, descemos a águas profundas, ao Hades ou Mundo Subterrâneo. A Jornada que o Herói empreende é uma Jornada de Morte... é uma Jornada que lhe custará a própria vida... pois ele terá de morrer para encontrar o que busca... mas a Jornada também é de Vida... pois ele (re)nasce... como um novo Ser... pois é capaz de resgatar o “bem amado” das trevas, e ao contrário do Grande Trovador Orfeu... ele não perderá de vista sua “Eurídice”... O Herói ao renascer de sua provação máxima, a morte... ele morre para o mundano... para o profano... ele se torna Senhor de dois mundos... ele agora (re)vive... torna-se Sábio... e descobre ao retornar a sua “patris filis”,  de volta ao ponto de origem, de que tudo o que sempre buscou sempre esteve dentro de si e não fora como supunha... toda a Jornada... foi na verdade uma Jornada de volta para a casa... de volta ao lar... de volta para o “EU SOU”!!!

PAX & LUX

terça-feira, 2 de agosto de 2011

A Sombra Sagrada



Certa vez, houve um sábio tão bondoso que os anjos pediram a Deus que o agraciasse com o dom dos milagres. Os anjos desceram então até a Terra para perguntar ao sábio se ele queria uma benção dessas: “Gostaria que o toque das tuas mãos curasse os enfermos?” “Não”, respondeu o sábio, “eu prefiro que Deus faça isso”. Mas os anjos insistiram, “Então, gostaria de converter os outros, trazendo para o caminho da verdade das almas errantes?”Não”, reafirmou o sábio, “eu apenas sirvo, não converto?” “Mas o que é que desejas então”? perguntaram os anjos. O santo refletiu por um momento e respondeu: “Eu gostaria de sempre poder fazer o bem, sem no entanto jamais saber disso”.

Os anjos então ficaram perplexos. Finalmente, decidiram pôr em prática o seguinte plano: cada vez que a sombra do sábio se projetava atrás de si, ou a seu lado, onde ele não podia vê-la, ela tinha o poder de curar as enfermidades, aliviar a dor e diminuir a tristeza. E assim, sempre que o sábio punha-se a caminhar, sua sombra tornava verdejantes os caminhos empoeirados, desabrochava plantas murchas, fazia água cristalina jorrar de córregos ressecados, corava a pele de crianças pálidas e distribuía alegria para as pessoas infelizes.

O sábio por sua vez, simplesmente ia seguindo sua vida, espalhando bondade do mesmo modo que a estrela emite luz e a flor exala perfume, sem jamais se dar conta disso. E as pessoas que o encontravam, respeitando sua humildade, seguiam-no silenciosamente, nunca lhe falando sobre seus milagres. Com isso, pouco a pouco elas acabaram se esquecendo do seu nome, chamando-o apenas de “A Sombra Sagrada”.  
(Fonte Dra. Susan Andrews)

sábado, 23 de julho de 2011

O Centésimo Macaco


Vivemos dentro de uma ilusão, a de sermos separados uns do outros e do mundo ao nosso redor. Sentimos dor ou tristeza porque nos isolamos das pessoas ou coisas que amamos, ao passo que nos sentimos inspirados ou alegres, porque estamos em unidade, com as mesmas coisas ou pessoas que antes nos sentiamos separados. Podemos explicar todos os desafios e sucessos humanos com base nesse pensamento e se estamos preocupados com os riscos que a natureza corre ou com a violência no mundo, é porque sentimos a mesma dor, e a compartilhamos como uma só. Ao reconhecermos em nós as Conexões Sagradas nos tornamos mais conscientes do conceito de unidade, passando a levar em conta as implicações das nossas ações para o todo, e em nossas vidas.  

Ou como no Discurso do Chefe Seatlle, em sua Carta ao Presidente dos EUA em 1855:

“Tudo o que acontece à Terra – acontece aos filhos da Terra.
O homem não teceu a teia da vida – ele é meramente um fio dela.
O que quer que ele faça à teia, ele faz a si mesmo.”

Há uma fábula que ilustra bem essas idéias, é a do Centésimo Macaco escrita por Ken Keys Jr., baseada na “Teoria do Campo Mórfico” do Biólogo Rupert Sheldrake, que trata da mudança de comportamento de uma espécie ao atingir uma massa critica.
           
Há mais de 30 anos, cientistas estudavam colônias de macacos em ilhas isoladas na costa do Japão. De maneira a observá-los e anotar registros, os cientistas atraiam os macacos para a praia oferecendo-lhes batata doce. Os macacos desciam das árvores para aproveitar a refeição gratuita e se colocavam numa posição de onde podiam ser facilmente observados. Um dia uma macaca de 18 meses chamada de Imo começou a lavar a sua batata no mar antes de comê-la. Imagino que isto melhorou o sabor por tirar os grãos de areia e pesticidas, ou então ficava mais saborosa por conta do sal. Imo mostrou a seus companheiros de brincadeira é à sua mãe como lavar as batatas, seus amigos mostram às suas mães e, gradualmente, mais e mais macacos começaram a lavar suas batatas ao invés de as comerem como eram oferecidas. Inicialmente apenas as fêmeas adultas que imitavam seus filhotes aprenderam mas, gradualmente, outros aprenderam também.

Um dia os cientistas observaram que todos os macacos daquela ilha estavam lavando suas batatas antes de comê-las. Embora isto seja significativo, o que foi mais fascinante é que esta mudança no comportamento não ocorreu apenas naquela ilha. Subitamente os macacos de todas as outras ilhas estavam lavando suas batatas – apesar da colônias de macacos das diferentes ilhas não terem nenhum contato entre si.

Nunca saberemos quando o Centésimo ou Milionésima pessoa aparecerá. Mas sabemos que quantos mais mudarem, mais próximos estaremos do fator critico para as transformações de comportamento, atitudes e cultura, capazes de afetar a totalidade e com ela a todos Nós. O que era imaginável é feito por alguns, depois por muitos, até que um número crítico de pessoas faz a mudança e aquilo tornar-se o padrão de como agirmos e do que nos tornamos como seres humanos.

Talvez você possa Ser o Centésimo ou Milionésimo de um ponto culminante de mudanças globais, nunca saberemos ao certo, mas se não tentarmos nunca saberemos.

“Você tem que ser o espelho da mudança que está propondo.
Se eu quero mudar o mundo, tenho que começar por mim.”
Mahatma Gandhi

Afinal Somos Todos UM...

Pax e Lux!


quinta-feira, 31 de março de 2011

Voo da Águia


Recentemente participei de uma vivencia xamanica chamada Voo da Águia e pude acessar um outro tipo de conhecimento que certamente não está em livros, ou ao menos se estiver agora é algo que vivi, e não que li.

Existem muitas metáforas ligadas a este nobre animal como as de renovação, liderança, determinação, superação e visão, para falar das mais conhecidas qualidades atribuídas a Águia.

O povo indígena acredita que cada um de nós possui um totem ou animal de poder, que seriam como uma espécie de espirito guardião que nos acompanha ao longo da vida, nos oferecendo força e proteção. Muitas vezes este animal está ligado de duas formas em nossa vida, ou por características de personalidade nossa, comportamentos que teríamos em comum, ou por aspectos ou lições que precisamos aprender com o animal que se liga a nós. Por exemplo alguém cujo animal de poder seja um Tigre, o Tigre tem como características caçar sozinho, não andar em bandos e ser muito agressivo ao escolher uma presa, pois ele a estuda muito bem antes de atacar, de modo que dificilmente alguém consegue escapar. Ou seja é um animal forte e que apresenta muito foco no que faz. Podemos associar então que pessoas com este animal podem ser fortes e focadas, porém preferem ficar sozinhas a estar em grandes grupos, e a lição que o Tigre nos ensina é ter foco e não desistir fácil de nossos objetivos, de pensarmos em estratégias que nos levem ao sucesso.

Se analisássemos a cultura indígena apenas superficialmente, acharíamos uma bobagem a ideia de que um espirito animal nos acompanha, mas sob a luz de uma reflexão mais acurada, percebemos a profundidade por de trás destas idéias. Aliás o Xamã, que assume o posto de curandeiro, conselheiro e sacerdote nas tribos, trabalha com vários animais, que o protegem e o guiam em suas jornadas.

O Xamã acredita ser capaz de viajar com sua alma aos mundos superiores e inferiores, e por inferior não entenda como inferno no sentido cristão, e sim como subterrâneo, onde residem as entidades animais e elementais da natureza. Para isso ele se serve de uma relação de simbiose com o seu animal que lhe emprestam sua força e sabedoria.

Pude comprovar por experiência própria tais verdades indígenas, de que tudo é vivo e conectado, de sermos seres interdependentes na natureza, e de estarmos constantemente num processo de renovação, algo morre e é sacrificado, para que algo novo surja, renovado.

Mas não sou um xamã, estudei e vivi o assunto, mas um xamã só o é, quando recebe uma iniciação espiritual que o torna reconhecido por outros que com ele convive. Até certo ponto diríamos que todo profissional de cura, seja um terapeuta, médico, enfermeiro ou sacerdote religioso tem um pouco de xamã em si, já que busca  a cura física, emocional ou espiritual do próximo. Mas só o xamã atua nos campos físico, mental, emocional e espiritual ao mesmo tempo. Porém isto não nos impede de sermos curiosos, e buscarmos uma iniciação ou sabedoria por nossa própria vontade. Já que nisto consiste a vida de todos nós, e mesmo de todo herói interior. E foi exatamente isso é que fui buscar com tal voo, uma ampliação da consciência de si mesmo, uma transmutação, transformação ou renovação.

A partir desta experiência, deste voo foi possível compreender o propósito de nossa existência, que não poderia ser outro que se não acumularmos experiências. Algo que foi transmitido interiormente durante este voo, o de todos termos o poder criador, de semos artistas diante de uma tela em branco, onde tudo é possível, onde nós escolhemos as cores, a misturamos, enquanto vamos dando o tom para o que queremos pintar. Temos o livre arbítrio de escolher, que quadro desejamos pintar, se uma paisagem, um rosto ou uma pintura abstrata. Certamente cada tela nos proporcionará diferentes experiências.

E a grande questão de toda obra criada, é que ela sempre existiu e sempre existirá primeiro como uma tela em branco, pois a sua perfeição está nesta tela, em que projetamos e criamos os nossos sonhos, já que somos todos grandes tecelões. O Grande Mistério ou Espirito do Universo, pode nos mostrar o cintilar, o brilhar distante e próximo das estrelas, a grande explosão originou tudo o que é conhecido. Mas a grande verdade, é que o Grande Espirito talvez não exista sozinho, e sim em sua coletividade, dentro de cada ser, dentro de cada coisa animada ou estática. Tudo é vivo e flui, e todos nós buscamos este grande Artista do Universo, que como Shiva pode destruir só para reconstruir novamente, já que temos de nos recordar que a vida do universo inicia como uma grande explosão, assim como a vida humana também começa com a explosão, de uma grande corrida rumo a um planeta distante e desconhecido chamado óvulo, que é capaz de gerar vida em seu interior.

Estaríamos na verdade em um Grande Útero, como nos faz pensar a nossa Pacha Mama ou Mãe Terra. Um grande ovo Cósmico, onde cada uma de nossas escolhas reverberam por todo o espaço e por isso é difícil prever o futuro, mas sabemos que sempre retornamos a esta tela em branco de múltiplas possibilidades e experiências. O que agora percebo é que somos todos uma expressão de Brama, do Criador, do Grande Arquiteto, Iavé, Amon Rá, Sol. Todas estas Faces ou Mascaras de Deus presentes no Grande Mistério ou Espirito como chamam os Indigenas, que há muito tempo dizem vir das Estrelas e a elas retornarem no fim de seus dias.

Incontáveis civilizações avançadas ou não, se fazem a mesma pergunta, qual é afinal o propósito da existência ?

E tudo o que aprendi é que o propósito da existência é acumular experiências, é acumular a cada obra, a cada tela em branco, que preenchemos com nossas cores, alegrias e vissitudes, o poder de tornar-se UM.

O de tornar-se o Co-criador participativo de todo o Cosmos, uma das Mil Faces do Herói !!!

..."tudo na terra tem um propósito, cada doença uma erva para curar , cada pessoa uma missão a cumprir". Esta é a concepção dos índios sobre a existência... Christine Quintasket (índia Salish) 1888-1936

Pax e Lux !!!


terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Caos e Cosmos


No inicio era o Caos, e nesta época quem reinava sob a Terra eram os gigantes Titãs, anteriores aos Deuses e tão antigos quanto o Cosmos, representavam as forças furiosas e sem controle da natureza, como vulcões em erupção, terremotos, maremotos, furacões e etc... O primeiro Titã a tentar colocar ordem na casa foi Cronos, o poderoso filho da união do Céu com a Terra ou respectivamente Urano e Gaia. Urano não gostava muito de suas criações, seus filhos obtidos da união com Gaia, eram sempre rejeitados e devolvidos para a Mãe. Gaia infeliz com a situação por sua vez pede aos filhos que o castrem, impedindo Urano de produzir mais filhos. Apenas Cronos que se tornaria o Rei dos Titãs, concorda e munido de seu foice castra o próprio Pai, que nunca mais poderia gerar outros filhos (do órgão mutilado que cai ao mar nasce Afrodite a deusa da beleza e do amor). Cronos implacável ao torna-se o Rei dos Titãs, inicia a tentativa de colocar ordem ao Caos presente, controlando seus outros irmãos  não muito estáveis... Os Gigantes Titãs. O cenário estava pronto para que toda a vida na Terra pudesse aflorar... através da gênese mitologica...

Com a recordação martelando em sua cabeça, de provocar a mutilação e posterior queda do Pai Urano. Cronos temia que o mesmo destino pude-se abater-se sobre si, e numa atitude desesperada, toma a decisão de engolir os filhos vivos, sempre que um novo nascia. O que é claro gerou um grande descontetamento na sua esposa Réia, que a exemplo da Mãe Gaia, repete a mesma conduta, e bola um plano para derrubar Cronos, que construiu fama de implacável, como o tempo que devora todos sem piedade. Réia oferece uma rocha embrulhada a Cronos, como se fosse um de seus filhos, ele rapidamente a engole e não desconfia que foi enganado... mais uma vez a história se repetiria e um Deus despencaria dos Céus.

Seu nome era Zeus, o filho que escapou de ser engolido... era o mais novo dentre os seis filhos de Cronos, cujos irmãos ainda vivem dentro do Pai. Quando Zeus cresce, a pedido da sua Mãe resolve enfrentar o Pai e salvar os outros irmãos Hera, Hestia, Demeter, Posídon e Hades, que posteriormente se tornarão os principais Deuses do Olimpo, a Terceira Geração de Deuses, ou a Idade de Ouro dos Deuses, também conhecidos como os primeiros Olimpianos. Zeus consegue libertar os irmãos, e com a ajuda deles consegue prender o Pai no Tártaro no mundo Subterrâneo, se tornando após uma batalha épica contra outros Titãs, o Senhor do Olimpo, e Rei de todos os Deuses, banindo todos os Titãs para junto do Pai.  Os contecimentos naturais na Terra, eram explicados como sendo a fúria dos Titãs aprisionados no interior da Terra, que de vez em quando tentavam fugir, mas eram domados outra vez por Zeus.

Pense quando era uma criança como imaginava Deus ou o Papai do Céu em sua intimidade com o Todo Poderoso? Talvez um forte e simpático Sr. de barba e cabelos brancos, que via e sabia de tudo, sentado em um trono dourado em meio as nuvens do céu, com raios entre as mãos para fuminar os maus e injustos desta terra. É exatamente esta imagem arquetipica, uma herança de Zeus (presente no inconsciente coletivo), e que inspirou até mesmo os afrescos da Capela Sistina com os devidos disfarces é claro. O fascinante nestes mitos sob a luz da psicologia, são os padrões de comportamento que se repetem, sempre há na vida do futuro Herói a presença de uma profecia, que provoca medo e arrepios no Soberano local. Este ultimo por sua vez tentará exilar ou matar o futuro Herói enquanto ele ainda é uma criança indefesa, na tentativa de evitar que a profecia se realize e ele caia, veja o exemplo de narrativas como as de Perseu, Édipo, Jasão e outros heróis que retornam a sua terra natal para reclamarem o que é seu por direito.

O mais interessante é presenciamos estas mesmas histórias aconteçendo em nossas vidas e em histórias de culturas completemente diferentes. Há duas personalidades que marcaram profundamente a nossa tradição judaico-cristã, que são citadas no antigo e novo testamento, e que podemos muito bem as considerarem como heróis. Vejamos então... Moisés e Cristo quando eram crianças foram ameaçados por Soberanos locais (devido a profecias que anunciavam a sua chegada e que ameaçariam o poder vigente), de certo modo em ambos os casos... estes Heróis ao crescerem provocaram uma verdadeira revolução... na autoridade que os Soberanos da sua época mantinham sobre o povo a mão de ferro. Aliás o fato de Moisés ter sido colocado em um cesto no Rio Nilo por sua Mãe que o lançou a sorte a fim de evitar a sua morte, remete há algumas coincidências com o próprio mito de Osiris, que também chega a ser colocado em um cesto, talvez até pelo mito, a sua adoção tenha sido facilitada pela familia do faraó (que poderiam ter visto na ocasião o sinal dos deuses). O faráo cuja familia adotou Moisés era o responsável por ordenar a morte de todas as crianças dos hebreus, menos uma que escapou... e que chegou de forma pouco usual... fazendo com que fosse poupada... afinal se fosse um presente dos deuses... eles não iriam querer vê-los descontentes...  Moisés ao tornar-se Herói libertou o seu povo do julgo egipcio... e atuou como o legislador do cumprimento dos 10 mandamento...

Mas não estou aqui discutindo religião, apenas traçando algumas reflexões paralelas entre a história e o mito. A quem diga que não há provas concretas da existência de Moisés ou Cristo (ambos nascem sob circunstâncias e eventos importantes... e se tornam portadores de uma revelação ou iluminação), o que sabemos sobre os mitos, é que sempre houve algo de real por de trás das lendas. Como cidades miticas descobertas após escavações como as de Tróia e Minos até então consideradas apenas lenda... Mitos eram uma forma hábill de transmitir histórias simbólicas, que sempre tinham uma moral subjacente como advertencia a Sociedade para certos tabus, costumes e proibições (como incesto, canibalismo, infanticidio e parricidio). Numa Sociedade onde a escrita era rudimentar ou quase inexistente, a tradição oral reinava, transformando acontecimentos reais e históricos, em lendas vivas ao envolverem em sua trama elementos do fantástico e fantasia, cujas histórias eram reverenciadas... cheias de glória e dramas... como o são em filmes e novelas... é até capaz que se desconfiasse destas tramas como nós desconfiamos de roteiros modernos cheios de pirotecnias que fogem ao bom senso... porém existe o aspecto da arte... e tais tramas eram mais facilmente assimiladas do que simplesmente traçarmos leis... ou realizarmos algum tipo de disucros moral ou puritano... fica a escolha para cada um...  histórias sempre mexeram conosco... e talvez oa antigos também soubessem disso... facilitando muito mais o processo de disseminação da cultura e leis através destes fascinio, pelos bardos e epopéias de homens, heróis e deuses.

Mas retomando onde paramos... parece que o  fato de acreditarmos em uma profecia e tentarmos evitar que ela ocorra, é o que justamente gera o efeito contrário desejado... chamadas de profecias auto-realizadoras. A lenda envolta do nascimento do Buda histórico é um belo exemplo de como estas profecias auto-realizadoras ocorrem... Há milênios atrás uma profecia marcaria profundamente o nascimento de um Principe Indiano chamado Sidarta Gautama...  a lenda começa quando Sidarta nasce em um profeta que por lá perambulava... diz ao poderoso Rei e Pai de Sidarta, que seu amado filho se tornaria um grande e sábio Rei, ou um Asceta da Floresta. O Rei preocupado trata então de esconder do filho todos os problemas e preocupações que permeiam a nossa vida, com medo de vê-lo tornar-se um asceta. Esta era provavelmente uma imagem que não saia da cabeça do Rei e o atormentava dia e noite, passando ao contrário do que devia, a esconder as mazelas e infortunios que todos carregamos, mas que de modo algum deveriam ser descobertas pelo Principe Sidarta. Certo dia porém... em segredo o Principe consegue sair do palácio e se depara com a infelicidade, a velhice e a morte, ficando extremamente incomodado com o propósito de vivermos assim... ficou incomodado sem saber qual o proposito da vida e sua impermanência... Seria após esta experiência que posteriormente o Jovem Principe sairia definitivamente do palácio, buscando respostas e encontrando a Iluminação e o Caminho para a felicidade e secessão do Sofrimento nesta vida (e não após a morte quando muitos são punidos ou premiados conforme a sua conduta terrena - tema este recorrente em várias tradições da humanidade). Até então o comportamento do Rei era cercar o Jovem Principe de frivolidades, de belezas e pessoas jovens, de uma vida repleta de riquezas e jóias, que poucos podiam sonhar como seriam tamanha fortuna... Porém o Principe tinha tudo... algo lhe faltava... a mais valiosa das jóias... a "liberdade". Movido pela curiosidade e tabu em encontrar o mundo fora dos muros do palácio que o cercava... pode pela primeira vez reconhecer como era a verdadeira vida... levando-a a uma "profunda desilusão" que culminam na recorrente "Iluminação do Herói" presentes nas diversas lendas de povos, culturas e epócas diferentes.

Talvez a pergunsta seria... E se o Rei o tivesse criado e educado como uma pessoa normal, ito teria acontecido ? Bem não sabemos o desfecho desta outra história... mas acredito que o poder em uma profecia não está na profecia... e sim o de a levarmos muito a sério... e de algum modo nos moldarmos a ela... tentando evitá-la... ao invés de agirmos naturalmente...

Será que se tratássemos bem o Herói desde o inicio, como uma pessoa normal, será que a profecia aconteceria ? Se o Faraó e depois Herodes não tivessem dado a ordem de matar todas as crianças, será que a oportunidade do Herói existir teria de fato acontecido ? O medo de todo Soberano, não estaria talvez no fato de que ele mesmo chegou ao poder por meios não convencionais ou truculentos ? Que se ele mesmo fez isso outros poderiam pensar em fazer o mesmo, ameaçando seu poder e soberania ? Pois este é o problema do Mal para a Consciência. Não é necessário um agente externo ou divindade a nos punir... se pensarmos em Sócrates (o famoso parteiro das idéias)... ele não acreditava no mal... mas em ausência do bem... motivada pela ignorância... ou falta de consciência... pois para Sócrates ao tomarmos consciência da vantagem de fazermos o bem... não nos inclinariamos mais ao mal...

Alguns podem se perguntar se não há pessoas no mundo que não são ignorantes e fazem o mal deliberadamente... como em casos em que o assassino reconhece a sua conduta como algo reprovável... e excluindo as possbilidades de doença mental... o faz mesmo assim... por prazer... como um esporte ou caça...  bem diante disto... talvez o que se possa argumentar... é em favor das lições inerentes as profecias... quem faz o mal concientemente acaba como os Soberanos dos mitos... atormentado pela Profecia de que chegará o dia... de um conhecido ou desconhecido que lhe tomará o poder... que ao final o seu destino se somará ao destino comum de todos os deuses... a sua queda... não há como se escapar do mais implacável do Juizes... a própria Consciência...
Não seriam talvez todas as guerras, motivadas por razões semelhantes a estas como o medo, a ganancia e a vingança... a possivel falta acaba gerando o medo, e o medo de que algo falte... gera a ganancia em acumularmos para não faltar... e a vingança existe que ao acumalarmos tiramos algo de alguém... e este alguém não satisfeito como o que lhe foi tirado... reagirá pela falta provocada... e assim o ciclo se fecha e se repete por gerações... como na linhagem divina ou real... sempre esperando pelo próximo usurpador... pois ele próprio também o era... Só que todos nós desejamos afastar o cálice da dor e do medo, e o modo mais primitivo de como lidamos com o medo, é o personificando através de objetos, pessoas, grupos ou nações, que desejamos nos livrar... na ansia de acabar com o medo... elegemo o famoso "bode expiatório", que expia todo o mal por nós... com suas raízes nos sacrifícios animais, a fim de aplacarem a ira dos deuses. Aliás a própria aliança com Deus... a Crucificação não seria o modo pelo qual expiamos os nossos pecados... é apenas algo para se refletir em termos mitológicos... Ainda bem que hoje na vida moderna... as coisas ficaram mais "civilizadas"... bastando confrontarmos a nossa própria sombra no heróico caminho de inviduação.

Enquanto houver medo no mundo, sempre existirão Heróis, portadores do "Fogo Sagrado", para afastarem as nossas "trevas" interiores, pois um combate de proporções épicas é travado no cotidiano de nossas consciências todos os dias... pois basta apenas realizarmos um experimento prático e simples... sair por ai de carro para reconhecer a nossa porção "sombria e primitiva" de guerreiros modernoa... ainda bem que nos momentos mais dificeis... podemos contar com os nossos heróis interiores personificando na razão... pois em tempos menos civilizados do que este a espada era a lei... ou para alguns hoje... a "bala"... rs... O bom é saber que as trevas e o caos existem no cosmos e em nós (já que o cosmos também vive em nós em quanto parte do micro), e representam apenas a ausência da luz. Quando éramos crianças... tinhamos medos dos monstros que viviam em nosso armário, porão ou sotão de casa... sob a luz da razão... ascendiamos o interruptor do botão da luz... que sempre nos mostrava a verdade... estávamos tomando sombras por realidade... e desde então nunca mais nos separamos da luz... ao vistarmos locais sombrios... passamos a portar algum tipo de luz conosco... e istos é de proporções épicas pois os nossos ancestrais já faziam isso nas cavernas... Nossos medos sempre estiveram na escuridão da alma... mas a escuridão nada mais faz do que refletir a nossa própria luz...

Cronos só pode ceifar o precioso tempo de nossas vidas, se a exemplo das profecias, creditarmos a ele este poder. Os deuses afinal precisavam das preces dos homens para alimentarem a sua imortalidade, sem os homens não haveriam deuses a serem reverenciados, aliás como foram criados a nossa imagem e semelhança, eles disputavam entre si a nossa atenção. Sendo assim o medo e o caos só existem quando o alimentamos.

Mas sem medo não há monstros... e sem monstros não há caos... e sem caos não há heróis... e sem heróis não há jornadas... e sem as jornadas a vida seria um lugar manso e tranqüilo que nem daria vontade de conhecer... é como na primeira experiência da Matrix... rebanhos humanos inteiros pereceram... pereceram porque nesta dimensão a paz só é possível imersa em Caos... que o Cosmos é uma totalidade de um Caos organizado... que através do famoso primeiro motor Aristotélico... como nas complexas trigonometrias matemáticas envolvidas nos jogos de sinucas... se.. Deu(s) a primeira jogada... e as bolas se chocaram umas com as outras e continuam a se chocar até hoje... o caos ordenado e calculado se intalou... e aqui estamos nós agora... a chocar-se uns com os outros... sem saber ao certo em que caçapa iremos parar...

Se somos todos deuses e heróis, então estamos construindo o mundo que desejamos... nada diferente disto... enquanto houver ego... haverá desafios a nos alimentar... a paz se encontra na justaposição das forças opostas... no meio e no equilíbrio... na justa medida... no hábito da virtude que rejeita a falta, os escessos e os vicios como dizem os filósofos da antiguidade... Herói então... é aquele capaz de individuar-se em meio a todo o caos... e confusão... sem com tudo tornar-se egocêncentrico (no excesso)... individualista (no vicio)... ou esquizofrenico (na falta - ao perder a identidade central e fragmentar-se em vários eus)  encontrando felicidade e paz em meio ao caos da unidade... ao mesmo tempo em que nos encontramos com a dualidade da existência... pois nem os deuses... a conquistaram definitivamente... sendo derrotados por não serem capazes de integrarem suas Sombras... porém a nós Homens e Mulheres... nos é dada a maior arma mágica de todas... "O Fogo Sagrado" chamado na modernidade de "O Poder da Escolha Pessoal"...
É exatamente este o grande desafio de cada Herói ou Heroína Interior... utilizar da sua "arma mágica" para cultivar as virtudes e sua própria "luz e paz interior"... reestabelendo-se como o Soberano ou Soberana do reino mágico e distante... mantendo a salvo o "fogo sagrado" dos Sombrios Demônios Interiores... que tentarão a todo custo apagá-lo... para o reino novamente ser dominado e controlado... mas o "fogo sagrado" hoje pertence aos homens e não mais aos deuses... desde que Prometeu os ensinou aos homens... os ultimos passaram a se tornar independentes dos deuses... e não mais terem seus destinos controlados... agora temos ao nosso lado "o poder da escolha" da escolha pessoal de reagir de modo diferente... e não cometer os mesmos erros do passado... podemos todos viver como uma grande familia... integrando todas as divindades ou vontades existentens... sem que nos percamos neste "hérculeo e heróico trabalho"... pois afinal já são vários os paraisos perdidos que acumulamos através dos tempos... a iniciar o primeiro deles... com o nascimento...

Façamos todos um bom uso desta centelha divina criadora... que nos inspira e anima... a fim de não cairmos diante dos titãs do medo e do caos !!!

“O homem que evita e teme a tudo, não enfrenta coisa alguma, torna-se um covarde.” Aristóteles.

Pax e Lux !