sábado, 23 de julho de 2011

O Centésimo Macaco


Vivemos dentro de uma ilusão, a de sermos separados uns do outros e do mundo ao nosso redor. Sentimos dor ou tristeza porque nos isolamos das pessoas ou coisas que amamos, ao passo que nos sentimos inspirados ou alegres, porque estamos em unidade, com as mesmas coisas ou pessoas que antes nos sentiamos separados. Podemos explicar todos os desafios e sucessos humanos com base nesse pensamento e se estamos preocupados com os riscos que a natureza corre ou com a violência no mundo, é porque sentimos a mesma dor, e a compartilhamos como uma só. Ao reconhecermos em nós as Conexões Sagradas nos tornamos mais conscientes do conceito de unidade, passando a levar em conta as implicações das nossas ações para o todo, e em nossas vidas.  

Ou como no Discurso do Chefe Seatlle, em sua Carta ao Presidente dos EUA em 1855:

“Tudo o que acontece à Terra – acontece aos filhos da Terra.
O homem não teceu a teia da vida – ele é meramente um fio dela.
O que quer que ele faça à teia, ele faz a si mesmo.”

Há uma fábula que ilustra bem essas idéias, é a do Centésimo Macaco escrita por Ken Keys Jr., baseada na “Teoria do Campo Mórfico” do Biólogo Rupert Sheldrake, que trata da mudança de comportamento de uma espécie ao atingir uma massa critica.
           
Há mais de 30 anos, cientistas estudavam colônias de macacos em ilhas isoladas na costa do Japão. De maneira a observá-los e anotar registros, os cientistas atraiam os macacos para a praia oferecendo-lhes batata doce. Os macacos desciam das árvores para aproveitar a refeição gratuita e se colocavam numa posição de onde podiam ser facilmente observados. Um dia uma macaca de 18 meses chamada de Imo começou a lavar a sua batata no mar antes de comê-la. Imagino que isto melhorou o sabor por tirar os grãos de areia e pesticidas, ou então ficava mais saborosa por conta do sal. Imo mostrou a seus companheiros de brincadeira é à sua mãe como lavar as batatas, seus amigos mostram às suas mães e, gradualmente, mais e mais macacos começaram a lavar suas batatas ao invés de as comerem como eram oferecidas. Inicialmente apenas as fêmeas adultas que imitavam seus filhotes aprenderam mas, gradualmente, outros aprenderam também.

Um dia os cientistas observaram que todos os macacos daquela ilha estavam lavando suas batatas antes de comê-las. Embora isto seja significativo, o que foi mais fascinante é que esta mudança no comportamento não ocorreu apenas naquela ilha. Subitamente os macacos de todas as outras ilhas estavam lavando suas batatas – apesar da colônias de macacos das diferentes ilhas não terem nenhum contato entre si.

Nunca saberemos quando o Centésimo ou Milionésima pessoa aparecerá. Mas sabemos que quantos mais mudarem, mais próximos estaremos do fator critico para as transformações de comportamento, atitudes e cultura, capazes de afetar a totalidade e com ela a todos Nós. O que era imaginável é feito por alguns, depois por muitos, até que um número crítico de pessoas faz a mudança e aquilo tornar-se o padrão de como agirmos e do que nos tornamos como seres humanos.

Talvez você possa Ser o Centésimo ou Milionésimo de um ponto culminante de mudanças globais, nunca saberemos ao certo, mas se não tentarmos nunca saberemos.

“Você tem que ser o espelho da mudança que está propondo.
Se eu quero mudar o mundo, tenho que começar por mim.”
Mahatma Gandhi

Afinal Somos Todos UM...

Pax e Lux!