segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Carta do Chefe Seatlle


Hoje transcrevo uma carta que continua mais do que atual ! Ao longo do tempo nos distanciamos da Terra, e esta vem sofrendo com o desprezo de seus filhos que á exploram e maltratam em nome do consumo insustentável...

No ano de 1854, o presidente dos Estados Unidos fez a proposta de comprar boa parte das terras de uma tribo indígena, oferecendo, em contrapartida, a concessão de uma outra área. O texto da resposta do Chefe Seatle é considerado um dos mais belos pronunciamento em defesa do meio ambiente.

“Como é que se pode comprar ou vender o céu, o calor da terra? Essa idéia parece estranha. Se não possuímos o frescor do ar e o brilho da água, como é possível comprá-los? Cada pedaço desta terra é sagrado para meu povo. Cada ramo brilhante de um pinheiro, cada punhado de areia das praias, a penumbra na floresta densa, clareira e inseto a zumbir são sagrados na memória e experiência de meu povo. A seiva que percorre o corpo das árvores carrega consigo as lembranças do homem vermelho. Os mortos do homem branco esquecem sua terra de origem quando vão caminhar entre as estrelas. Nossos mortos jamais esquecem esta bela terra, pois ela é a mãe do homem vermelho. Somos parte da terra e ela faz parte de nós. As flores perfumadas são nossas irmãs: o cervo, o cavalo, a grande águia, são nossos irmãos. Os picos rochosos sulcos úmidos nas campinas, o calor do corpo do potro, e o homem – todos pertencem à mesma família. Portanto, quando o Grande Chefe em Washington manda dizer que deseja comprar nossa terra, pede muito de nós. O Grande Chefe diz que nos reservará um lugar onde possamos viver satisfeitos. Ele será nosso pai e nós seremos seus filhos. Portanto, nós vamos considerar sua oferta de comprar nossa terra. Mas isso não será fácil. Esta terra é sagrada para nós. Essa água brilhante que escorre nos riachos e rios não é apenas água, mas o sangue de nossos antepassados. Se lhes vendermos a terra, vocês devem lembrar-se de que ela é sagrada, e devem ensinar às suas crianças que ela é sagrada e que cada reflexo nas águas límpidas dos lagos fala de acontecimentos e lembranças da vida do meu povo. O murmúrio das águas é a voz de meus ancestrais. Os rios são nossos irmãos, saciam nossa sede. Os rios carregam nossas canoas e alimenta nossas crianças. Se lhes vendermos nossa terra, vocês devem lembrar e ensinar a seus filhos que os rios são nossos irmãos, e seus também. E, portanto, vocês devem dar aos rios a bondade que dedicariam a qualquer irmão. Sabemos que o homem branco não compreende nossos costumes. Uma porção de terra, para ele tem o mesmo significado que qualquer outra, pois é um forasteiro que vem à noite e extrai da terra aquilo de que necessita. A terra não é sua irmã, mas sua inimiga, e quando ele a conquista, prossegue seu caminho. Deixa para trás os túmulos de seus antepassados e não se incomoda. Rapta da terra aquilo que seria de seus filhos e não se importa. A sepultura de seu pai e os direitos de seus filhos são esquecidos. Trata sua mãe, a terra, e seu irmão, o céu, como coisas que possam ser compradas saqueadas, vendidas como carneiros ou enfeites coloridos. Seu apetite devorará a terra, deixando somente um deserto. Eu não sei, nossos costumes são diferentes dos seus. A visão de suas cidades fere os olhos do homem vermelho. Talvez seja porque o homem vermelho é um selvagem e não compreenda. Não há um lugar quieto nas cidades do homem branco. Nenhum lugar onde se possa ouvir o desabrochar de folhas na primavera ou o bater das asas de um inseto. Mas talvez seja porque eu sou um selvagem e não compreendo. O ruído parece somente insultar os ouvidos. E o que resta da vida se um homem não pode ouvir o choro solitário de uma ave ou o debate dos sapos ao redor de uma lagoa, à noite? Eu sou um homem vermelho e não compreendo. O índio prefere o suave murmúrio do vento encrespando a face do lago, e o próprio vento, limpo por uma chuva diurna ou perfumado pelos pinheiros. O ar é precioso para o homem vermelho, pois todas as coisas compartilham o mesmo sopro – o animal, a árvore, o homem, todos compartilham o mesmo sopro. Parece que o homem branco não sente o ar que respira. Como um homem agonizante há vários dias, é insensível ao mau cheiro. Mas se vendermos nossa terra ao homem branco, ele deve lembrar que o ar é precioso para nós, que o ar compartilha seu espírito com toda a vida que mantém. O vento que deu a nosso avô seu primeiro inspirar também recebe seu último suspiro. Se lhes vendermos nossa terra, vocês devem mantê-la intacta e sagrada, como um lugar onde até mesmo o homem branco possa ir saborear o vento açucarado pelas flores dos prados. Portanto, vamos meditar sobre sua oferta de comprar nossa terra. Se decidirmos aceitar, imporei uma condição: o homem branco deve tratar os animais desta terra como seus irmãos. Sou um selvagem e não compreendo qualquer outra forma de agir. Vi um milhar de búfalos apodrecendo na planície, abandonados pelo homem branco que os alvejou de um trem ao passar. Eu sou um selvagem e não compreendo como é que o fumegante cavalo de ferro pode ser mais importante que o búfalo, que sacrificamos somente para permanecermos vivos. O que é o homem sem os animais? Se todos os animais se fossem, o homem morreria de uma grande solidão de espírito. Pois o que ocorre com os animais brevemente acontece com o homem. Há uma ligação em tudo. Vocês devem ensinar às suas crianças que o solo a seus pés é a cinza de nossos avós. Para que respeitem a terra, digam a seus filhos que ela foi enriquecida com as vidas de nosso povo. Ensinem às suas crianças o que ensinamos às nossas, que a terra é nossa mãe. Tudo o que acontecer à terra, acontecerá aos filhos da terra. Os homens cospem no solo, estão cuspindo em si mesmos. Isto sabemos: a terra não pertence ao homem; o homem pertence à terra. Isto sabemos: todas as coisas estão ligadas como o sangue que une uma família. Há uma ligação em tudo. O que ocorrer com a terra recairá sobre os filhos da terra. O homem não tramou o tecido da vida; ele é simplesmente um de seus fios. Tudo o que fizer ao tecido, fará a si mesmo. Mesmo o homem branco, cujo Deus caminha e fala com ele de amigo para amigo, não pode estar isento do destino comum. É possível que sejamos irmãos, apesar de tudo. Veremos. De uma coisa estamos certos – e o homem branco poderá vir a descobrir um dia; nosso Deus é o mesmo Deus. Vocês podem pensar que O possuem, como desejam possuir nossa terra; mas não é possível. Ele é o Deus do homem, e Sua compaixão é igual para o homem vermelho e para o homem branco. A terra lhe é preciosa, e feri-la é desprezar seu criador. Os brancos também passarão; talvez mais cedo que todas as outras tribos. Contaminem suas camas, e uma noite serão sufocados pelos próprios dejetos. Mas quando de sua desaparição, vocês brilharão intensamente. Iluminados pela força do Deus que os trouxe a esta terra e por alguma razão especial lhes deu o domínio sobre a terra e sobre o homem vermelho. Esse destino é um mistério para nós, pois não compreendemos que todos os búfalos sejam exterminados, os cavalos bravios sejam todos domados, os recantos secretos da floresta densa impregnados do cheiro de muitos homens e a visão dos morros obstruída por fios que falam. Onde está o arvoredo? Desapareceu. Onde está a águia? Desapareceu. É o final da vida e o início da sobrevivência.”

O Chefe Seatle nos dá uma verdadeira lição sobre ecologia e sustentabilidade, muito antes destes temas serem recorrentes e atuais, esta visão já era todo um modo de viver de um povo milenar dito "selvagem", cuja filosofia considerava o impacto de suas decisões em não menos que 7 gerações futuras !!!

Namastê !

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Profetas do Vazio

Vivemos em uma Sociedade vazia de Profetas!!! Para onde eles foram? Aonde estarão eles? Quem são eles? O que eles fazem ? Ou o que fizeram deles? Perguntas que não se calam, e que me intrigam, será o séc XXI marcado como o século do vazio existencial, muito se disse e se profetizou sobre este século, guerras, fome, doenças e violência, 2012 nos calendários Maia e Egípcio que marcam exatamente o fim do mundo ou o recomeço de uma nova era !!! A tão prometida e alardeada pelos místicos era de Aquário ainda está por vir nos ides do séc XXV, mas não estaremos vivos até lá para ver, ao menos não neste corpo. Profetas encantavam o mundo com suas profecias, com suas visões além do mundo. Os últimos Profetas que temos noticias mais recentes foram William Blake e Edgar Cayce. Matamos nossos Profetas com a ciência, talvez ainda hajam Profetas espalhados pelo Mundo, mas estes devem ter se calado, receosos de serem tomados por loucos. Aliás até onde vai o são para iniciar o insano ? Como podemos dizer que alguém é louco ou enlouqueceu ? Tudo bem... vocês me dirão o CID 10 ou o DSM IV, os Médicos, Psiquiatras, Psicólogos, Familiares e por ultimo a Sociedade, esta a responsável por ditar as normas e cultura. Digamos que louco é todo aquele que tornou-se refém de seu mundo interior, do seu inconsciente, que possui dificuldades em diferenciar o mundo interior do exterior e que se encontra "prisioneiro deste mundo", enquanto que o profeta é aquele que apesar de beber da mesma fonte de onde o louco bebe, foi capaz de transcender sua loucura ao mergulhar na noite escura da alma, e de lá retornar com suas visões, que em vão tentam buscar símbolos e palavras para descrever coisas que desconhecemos. Quando Nietzche afirmou que Deus estava morto, os Profetas com toda certeza também morreram com ele. Profetas deram lugar a cientistas, que prevêem tal como seus antecessores o futuro da humanidade, alguns um futuro otimista e outros um futuro sombrio, percebemos que ao final tudo depende do sujeito que profetiza ou pesquisa as previsões que nos são relatadas (tal como as previsões atuais do aquecimento global), e dentre as previsões, quais as que melhor se enquadram ao "capital". Antes dos Profetas tínhamos os Oráculos, a quem perguntávamos sobre as mazelas humanas, até hoje nos marca a Inscrição do Templo de Delfos dedicado ao Deus Apolo, “Conhece-te a Ti Mesmo” e com Sócrates “Homem, Conhece-te a ti Mesmo”, aliás este foi obrigado a beber da cicuta, por levar a cabo as palavras do Oráculo aos Homens, para que se conhecessem. Vemos um certo sofrimento na vida do Profeta que andarilha pelas estradas da vida, sem ser compreendido pelos Homens a quem tanto deseja libertar da ilusão ou ignorância, tem sido assim há séculos e mesmo com os novos profetas ou “cientistas” vemos o mesmo acontecer, sempre que uma pesquisa vai contra aos interesses “capitais” o pesquisador é desacreditado, dizendo que suas idéias são exageradas ou revolucionárias demais. O Profeta sofre com o vazio de ver suas palavras ecoadas ao ar, relegadas a poeira, e ainda em dizerem-lhe que és louco, que suas previsões não agradam as pessoas. Tudo o que um Profeta deseja é alertar as pessoas, dizer o que viu, ouviu e sentiu, para que justamente a Profecia seja evitada, mas ocorre que não escutamos mais nossos Profetas, talvez nunca escutamos, ou quando escutamos só ficamos com a parcela do que nos agrada, retirando tudo o que desagrada, tornando a profecia incompleta. Tal como o Rei que sonha com a batalha, e pergunta ao Oráculo se o sonho seria um preságio da vitória certa, e esta nos oferece uma resposta enigmática, ao dizer que cruzando o outro fronte da batalha um rei tombaria. Presunçoso e confiante de sua vitória, eis que o Rei atravessa e tomba em batalha, se realmente ouve-se dado ouvidos ao Oráculo, talvez a Guerra que estava a travar com seu Adversário pude-se ter sido apaziguada sem que houve-se o confronto. Este é o martírio e tormento de todo Profeta, saber o que sabe, e nada poder fazer para impedir. Talvez por isso os Profetas se calaram, diante do vazio da alma, de que adiantam profecias se ninguém mais as escutam !!!

Namastê !

Caso o video não rode acesse o link: http://www.youtube.com/watch?v=ihCQmfQBigA

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

A Pedra e o Rio

Ao observarmos a Natureza somos capazes de aprender valiosas lições, e uma das mais clássicas vem através do rio. Filósofos do Ocidente e Oriente já observavam a Natureza e extraiam dela inspiração para refletir acerca do homem e sua relação com o todo, com o Cosmos. Há dois grandes filósofos que se destacam por suas idéias baseadas na observação da Natureza. São eles o Pré Socrático Heráclito de Éfeso (540 a.C. - 470 a.C.) no Ocidente, chamado também de o “Obscuro” devido ao livro “Sobre a Natureza” o qual foi escrito de forma Oracular, ou no melhor estilo das parábolas Zen do Oriente, aliás deste lado temos Laozi, Lao Tzu ou Lao Tsé, que são as grafias mais conhecidas do seu nome, que significa “Filho Velho”, o criador da filosofia Taoista, que se baseia plenamente no devir natural, nas leis naturais. Laozi em sua única e grande obra escrita em 600 a.C. o Tao Te Ching, ou Dao de Jing, comumente traduzido pelo nome de "O Livro do Caminho e da sua Virtude" que de forma não menos enigmática a qual se referiam a Heráclito, em seus 81 versos inicia dizendo que o verdadeiro TAO, que traduzido significa “Caminho” não pode ser dito. O verdadeiro TAO não pode ser dito por ser uma experiência, o verdadeiro TAO é subjetivo e não objetivo, apesar de o TAO ser um só, ele se manifesta de forma diferentes, e por isso não pode ser dito, cada um deve experenciar o seu próprio “caminho” e chegar a sua própria “verdade” por este motivo Laozi relutava em falar sobre o TAO. O verdadeiro TAO é um experiência unica e individual, ao compartilhá-lo ou falarmos sobre ele, passa a tornar-se apenas uma sombra do verdadeiro TAO. Para entedermos este conceito, temos que passear pelas margens do rio em compania de nosso grande amigo do saber Heráclito que dizia, que todo rio tinha dois leitos, e ao atraversamos para outra margem, nós que o atravessamos e o rio que nos transpassou, já não mais seriam os mesmos, pois ambos o homem e rio estariam em pleno movimento, portanto nem o homem e nem o rio, por mais que insistissemos jamais seriam os mesmo de outrora. Para Heráclito a única verdade imutável e eterna era a “Mudança”. Sim... exatamente tudo o que tentamos evitar é a mudança, que nos chega sem pedir licença, não há como se lutar contra esta lei. Laozi dizia que devemos fazer o minimo esforço, que se estivessemos em um rio, nem precisariamos nadar, basta-se que boiassemos sem grandes agitações deixando que o rio nos leva-se para onde desejava que fossemos. Ocorre que fazemos o contrário, a Sociedade Moderna em que vivemos, nos pede para que lutemos contra a correnteza, que o ego acostumado a desafios, se agigante do rio, e vença-o. Laozi nos diria provavelmente que tal luta seria um grande desperdicio de energia, um movimento anti-natural. O que nos leva a nadar contra a correnteza ? Seremos nós mais fortes que as leis sob as quais também fazemos parte e estamos todos conectados. Nós sabemos o que ocorre com os melhores nadadores que tentam vencer inultimente a forte correnteza do rio... só há duas alternativas... se insitirmos de mais, ficamos exaustos e nos afogamos ou desistimos da luta e nos lançamos a sorte, nos agarrando há algum galho de árvore, esperando que a fúria passe e possamos atringir tranquilamente a outra margem. Heráclito via Deus na Natureza, em seus elementos, o qual o fogo era o principio criador de todas as coisas, o Cosmos nasce do fogo, e pelo fogo é consumido, o fogo condensado se torna a agua e solidificado se torna a terra e a partir dai nascem todas as coisas. Ao pensarmos nos problemas como pedras, nos esqueçemos destas valiosas lições advindas destes Grandes Mestres do Oriente e Ocidente, se formos como o rio, saberemos aproveitar as oportunidades, e rapidamente desviaremos o nosso curso a cada pedra com que cruzarmos pelo “caminho”, pedras em padrões humanos são quase que eternas, apenas a ação do tempo e das águas é que criam erosão e fazem com que virem areia e desapareçam no tempo. Isto é bom para refletirmos que problemas parecem ser eternos, e como pedras se lançadas ao rio tendem há afundar, e permanecerem lá no fundo. Se agirmos como o rio, rapidamente contornaremos as “pedras” do “caminho” em direção ao nosso próposito, em direção ao Oceano, a fonte de onde o rio em sua origem brotou algum dia e deve novamente retornar após um longo trajeto.

“Dura é a luta contra o desejo, que compra o que quer à custa da alma.” Heráclito

Namastê !

domingo, 4 de outubro de 2009

Seja Você Mesmo

Jung dizia que todos nós vestíamos personas, máscaras de personagens tais como ás do teatro de tragédias e comédias gregas, onde buscou inspiração para sua teoria. Ao afirmar que consciente ou inconscientemente representamos papéis sociais, que em realidade são como trajes, personagens que reproduzimos durante o cotidiano, a fim de sermos aceitos por um grupo, família ou sociedade que nos relacionamos. Não há nenhum problema com tais máscaras enquanto estamos conscientes delas, são até necessárias para um convivio mais harmonioso, o problema se inicia quando estas mascaras se colam e nos fixam, a um mesmo modo de pensar e agir de um personagem que em suma não somos nós mesmos. Tal como a idéia do ator, atuando em elenco e cenários diferentes, que continua a representar a si mesmo. Tudo muda, menos o ator, ao não se livrar dos cacuetes e trejeitos de seu antigo personagem, que reaparecem, perdendo a empatia do publico, o associando não ao novo, mas ao antigo personagem, como não sendo talentoso o suficiente para representar novos personagens, marcando-o como ator limitado e relegado a um único papel, muitos até se questionam se o ator e personagem, não seriam o mesmo na vida real. Aqui chegamos ao ponto que Jung nos alertava, sobre nos fixarmos a persona. Imaginemos a persona de um bom filho(a) ou Conjugue, definindo como “bom” uma pessoa “obediente” ou seja, que acata a vontade alheia com certa freqüência, a fim de sentir-se amado ou estimado pelos outros, ou mesmo em esconder a sua discordância ao saber que seria criticado. Digamos que esta pessoa não se sinta satisfeita, mas ao longo do tempo passa a fixar-se neste papel de “boa” pessoa, a fim de tornar-se aceita rapidamente (auto-estima baixa), ao invés de aprender a negociar cada situação em particular, que ocasionam certa tensão e conflito, preferindo evita-los a fim de não parecer Ser "bom". Não estou com isso incitando resolvermos qualquer conflito, nos rebelando ou dando vazão a todas as vontades e instintos, principalmente quando resultam em prejuízos ou danos. É importante estarmos alerta aos estereótipos que criamos e que outros criam a nosso respeito, favorecendo padrões de comportamento que se repetem, e ainda corrompendo com crenças e valores profundos que seguimos, em nome de ganhos secundários. Para cada persona que carregamos, em contrapartida criamos um lado oposto do que demonstramos Ser, chamado Sombra, não se tratando de ser bom ou ruim, mas algo natural, tal como a luz que só pode ser percebida porque existe o escuro, um não existe sem o outro. Para ilustrar melhor cito o conto do Médico e o Monstro, uma metáfora da condição humana ao tentar superar a dualidade, extirpando a maldade da bondade, que é exatamente o que o popular e bondoso Médico Dr. Jekyll, como é visto pela Sociedade tenta Ser, pertubando-o por sentir-se uma verdadeira farsa. Como o Alquimista em busca da pedra filosofal, da formula capaz de transmutar um minério sem valor em algo valioso, como Ouro, Dr. Jekyll cria a fórmula que o tornaria livre do mal, e ao engolir a poção transformar-se em Mr. Hyde ou o Monstro de pura maldade. Monstro este que causará a sua ruina por em vão ter desejado extirpar algo pertencente a Si-Mesmo e que agora se tornara inconsciente e fora de controle. A forma de nos libertarmos desta cadeia e ciclo que nos encontramos presos, é passando pelo Processo de Individuação (vide em Setembro 09, o post sobre este conceito), na medida em que vamos integrando e nos tornando consciente de nossas personas e sombras, quando paramos de lutar contra força opostas, mas aprendendo a utilizá-las a nosso favor. Dando vazão ao Self e tornando-se consciente de Si-Mesmo, das partes boas e ruins que todos carregamos e não mais rejeitando aqueles aspectos inerentemente humanos, que tal como Dr. Jekyll tentamos em vão extirpar de nós mesmos... Ao final seja você mesmo e assuma quem você é !!!

“Até que o sol não brilhe, acendamos uma vela na escuridão.” Confúcio

Namastê !