quarta-feira, 21 de julho de 2010

Cultivar ou Cativar eis a Questão ?

Trecho extraído do livro: O Pequeno Príncipe de Antoine Saint-Exupéry

"E voltou, então, à raposa:

- Adeus, disse ele...

- Adeus, disse a raposa. Eis o meu segredo. É muito simples: só se vê bem com o coração. O essencial é invisível para os olhos.

- O essencial é invisível para os olhos, repetiu o principezinho, a fim de se lembrar.

- Foi o tempo que perdeste com tua rosa que fez tua rosa tão importante.

- Foi o tempo que eu perdi com a minha rosa... repetiu o principezinho, a fim de se lembrar.

- Os homens esqueceram essa verdade, disse a raposa. Mas tu não a deves esquecer. Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas. Tu és responsável pela rosa...

- Eu sou responsável pela minha rosa... repetiu o principezinho, a fim de se lembrar."

Pensamentos & Reflexões

Hoje recebi o texto acima de uma grande amiga a "Márcia" que conheci em um workshop sobre Psicologia Transpessoal há quase dois anos atrás. Recebi este trecho do “Pequeno Príncipe” em comemoração ao dia do amigo, que me inspirou a escrever o post que segue logo abaixo...

O que é verdadeiramente essencial para nós ? Gostamos e desejamos muitas coisas... de certo temos a tendência em acreditar que muitos são os objetos essenciais que precisamos ter ou possuir... Mas e quanto as pessoas ? Pessoas podem ser possuídas ? Bem... também desejamos tê-las ou possuí-las... mas diferentemente de objetos pessoas até podem ser possuídas a força... mas seus corações... nunca o teremos deste modo... E por quê ? porque pessoas tem vontades próprias... porque precisamos aprender a aceitar o outro, suas escolhas e também diferenças... aprendendo a cativá-las... é engraçado que na história do Pequeno Príncipe... o Alienígena protagonista do Conto... apesar de ser um Alienígena é mais Humano que os Humanos da Terra... e tem um carinho especial pela única Rosa do seu pequeno Planeta... a quem cultiva com amor e dedicação... a resguardando sob uma redoma de vidro a fim de protegê-la... é engraçado como a palavra “cultivar”... que significa preparar a terra, semear e plantar... guarde ressonância e semelhança com a palavra “cativar” cuja definição reserva uma certa ambigüidade...  tais como: “prender ou acorrentar” e “ganhar a simpatia”... quando comecei a pensar e refletir sobre estes significados... vi quanta riqueza em uma história que li quando criança... que a principio está direcionada para o público infantil... ledo engano de minha parte... pois esta é certamente apena a superficie que uma leitura desavisada é capaz de tocar... o conto do Pequeno Principe é mais rico e mais adulto do que de fato fazemos idéia... fala de uma inocência perdida... de como podemos aprender... ou melhor “reaprender” a sermos mais humanos... sobre um Alienigina que apesar de criança... é tão Sábio quanto um Ancião... e que por onde passa cativa as pessoas e também os animais... como a Raposa por um exemplo...

Hoje com quase 33 anos (falta pouco...) é que fui perceber algumas correlações... e graças a um inusitado trecho que recebi... que me tocou de um modo inesperado... tratando então de escrever sobre algumas inspirações e reflexões que me vieram a mente sobre o assunto... sobre nos reencantarmos com o mundo... pensamentos que não são poucos por sinal... então tenham paciência caso o texto lhe pareça longo... pois quando revelamos o que pensamos por escrito... estes costumam ser mais extensos... se comparados as idéias que transmitimos pela fala ou imagens... procurei portanto mesclar aquilo que há de melhor em cada um destes recursos... afim de repassar esta bonita mensagem do Pequeno Princípe adiante... em um momento de nossa Humanidade... em que apenas os nossos aspectos sombrios e negativos são noticiados nas midias em geral... mas aquilo que é belo e sublime... não vende... e portanto é deixado de lado... com tudo faz-se importante resgastar nossos valores humanos... contra um niilismo presente na pós-modernidade... que contrariamente nos desencanta... pode não ser uma tarefa fácil... mas é possível ser feliz... quando não a exterioziamos nos objetos... e sim no eterno cultivo do que é verdadeiramente essencial...

Bem continuando de onde paramos... sobre "cultivar e cativar"... observemos o seguinte: O Pequeno Príncipe cultiva e cativa a Rosa a todo instante... ele a cultiva regando-a... ao mesmo tempo em que a cativa... que a "prende" sob uma redoma de vidro... e que também cativa ao "ganhar a sua simpatia"... ao conversar e dedicar-se tanto por ela. Cativamos alguém... quando a cultivamos... ou seja cuidando deste relacionamento como uma planta... observando suas necessidades... do que este relacionamento precisa... de mais água (atenção) ou adubo (amor)... com todo este cuidado... de certo modo "prendemos" o outro de livre e espontânea vontade a nós... pois o cativamos... ganhamos a sua simpatia e confiança como o fez o Pequeno Principe com a Raposa... enquanto cultivamos e cativamos esta “amizade’ ela se mantém próxima a nós... quando deixamos de cultivá-la com atenção e amor... ela murcha... e a amizade é perdida... não importando o tipo de amizade e relação que tínhamos até então... o interessante é também refletirmos sobre a escolha do autor por uma Rosa... Rosas são flores simples... mas muito apreciadas em suas cores, perfume e beleza... apesar do nome Rosa... que empresta o seu nome a cor... ou a cor a flor... não sei a ordem em que tudo aconteceu... quem emprestou o quê... que não importa neste diálogo... já que mesmo sendo um monólogo ele já se torna um diálogo... quando se comunica com o leitor e provoca nele reflexões... a “Rosa” Flor arquetípica por sinal... é presentemente vermelha na mente coletiva... e não rosa da cor... geralmente quando alguém compra uma rosa... há uma tendência generalizando um pouco... a optar por vermelhas... que em nossa cultura popular representam a cor da paixão e do amor... e mesmo da sedução...

Cativar alguém não deixa de ser um tipo de sedução... não somente em sua conotação “sexual” como o fazem pensar os “psicólogos” rs... afinal o que buscarmos iremos encontrar... já que tudo não passam de projeções “talvez até literais” como a fisica quântica nos faz refletir... mas a sedução a que me refiro... não é só a dos eternos enamorados... mas a sedução... de nos sentirmos atraídos por alguém... que nos cultiva e cativa com atenção e dedicação... é o amor, o carinho, a atenção que dispensamos aos outros... que faz com que quem é cultivado se sinta bem em nossa presença e acabe por ser cativado... provocando a sensação que nos esqueçamos de quem somos... que somos e nos tornamos nestes momentos mágicos... apenas UM... que é como talvez verdadeiramente sejamos e sempre fomos “ao final”...

Uma Rosa é certamente uma escolha acertada para as nossas questões pessoais... delicada... exige um bom cultivo... para que a cativemos... porém apesar de sua frágil aparência... guarda espinhos em seu corpo... para nos lembrar sempre que temos de agir com cuidado em nossas relações... que um descuido de nossa parte... se agirmos com indiferença ou mesmo brutalidade... acabará por machucar a ambos... a Rosa e o seu respectivo Cultivador. A Rosa torna-se especial... não porquê seja a única no Planeta B612 de nosso Alienígena... O “Pequeno Príncipe”... mas sim por tornar-se especial para aquele que a cultivou... que de tanto cultivo... acabou por cativar a ambos. Há muitas Rosas na Terra... mas nenhuma é tão especial... quanto a de seu Planeta... como acaba descobrindo o jovem Principe ao final de sua jornada pela Terra... tudo faz sentido... por terem se tornado UM... por tornar-se afinal responsável pelo o que cultiva... saiu em uma grande incursão e jornada fora de sua terra natal... para após regressar ao ponto de origem e verificar que tudo o que precisava... tudo o que lhe era essencial sempre esteve com ele... e nunca esteve fora de si mesmo... a nossa verdade essencial ou intima... não reside fora... como descobriu o Principe... mas dentro de cada um de nós... a viajem ou jornada fisica... apenas é uma metáfora para descobrimos... cada um... a sua própria verdade...

Quanto a Raposa... um outro grande arquétipo... imortalizado como símbolo de esperteza e sabedoria em algumas histórias... como as encontradas em algumas das fábulas de Esopo... antecessor e inaugurador deste tipo de narrativas "morais" com animais ou fábulas como são chamadas... é muito bem aproveitado no Conto do Pequeno Principe... a Raposa mostra a sua sabedoria... ao refletir... que mesmo sabendo que um dia ao ser cativada... se sentiria “cativa” ou seja "presa" pelo outro... ainda sim não se arrepende do relacionamento e tempo que passaram juntos... e mesmo de todo o afeto e carinho... que a tornou “livre” pelos laços de amizade formados... que irrompem para além da necessidade de posse ou presença fisica... tornando ela... e o príncipe... dentre tantos Humanos e tantas Raposas... "especiais e diferentes"... de todos os outros iguais em aparência de ambas as espécies... que se diferenciaram dos demais justamente pelos sentimentos "cultivados e cativados" por ambos... a Raposa... mesmo sabendo da dor que a separação fisica provocoria um dia... preferiu sentir e envolver-se... e é este sentir que nos faz humanos e que nunca podemos nos esqueçer... se abstrairmos mais um pouco... ou indo talvez um pouco  mais longe... Seremos então capazes de refletir... quantos espinhos ao invés de rosas... não estaremos cultivando... o quanto a falta de cuidados como água = atenção e adubo = amor... acabam por provocar dor a nossos semelhantes... a todos os seres sencientes ou seja que sofrem e sentem dor... que inclui todo animal ou ser vivo... inclusive uma árvore ou planta.. e mesmo o maior dos seres vivos o nosso próprio Planeta... que como nesta Fábula de uma Rosa em um longínquo Planeta ou Asteróide B612... esta por implorar que não nos esqueçamos de cativá-la novamente... que possamos nos (re)lembrar do essencial... de como fazíamos antigamente... a fim de nos tornarmos eternamente responsáveis... quando dizíamos que era Gaia... A nossa Grande Mãe !!!

"O essêncial para a nossa felicidade é a nossa condição íntima, e desta somos nós os senhores." Epicuro

Namastê !

terça-feira, 6 de julho de 2010

Como Nasce um Paradigma


Um grupo de cientistas colocou cinco macacos numa jaula, em cujo centro puseram uma escada e sobre ela, um cacho de bananas. Quando um macaco subia a escada para apanhar as bananas, os cientistas lançavam um jato de água fria nos que estavam no chão. Depois de certo tempo, quando um macaco ia subir a escada, os outros enchiam-no de pancada. Passado mais algum tempo, mais nenhum macaco subia a escada, apesar da tentação das bananas. Então, os cientistas substituíram um dos cinco macacos. A primeira coisa que ele fez foi subir a escada, dela sendo rapidamente retirado pelos outros, que lhe bateram. Depois de algumas surras, o novo integrante do grupo não subia mais a escada. Um segundo foi substituído e o mesmo ocorreu, tendo primeiro substituto participado, com entusiasmo, na surra ao novato. Um terceiro foi trocado, e repetiu-se o fato. Um quarto e, finalmente, o último dos veteranos foi substituído. Os cientistas ficaram então, com um grupo de cinco macacos que, mesmo nunca tendo tomado um banho frio, continuavam a bater naquele que tentasse chegar às bananas.

Se fosse possível perguntar a algum deles por que batiam em quem tentasse subir a escada, com certeza a resposta seria:

" Não sei, as coisas sempre foram assim por aqui... "

"É MAIS FÁCIL DESINTEGRAR UM ÁTOMO DO QUE UM PRECONCEITO” ALBERT EINSTEIN

Reflexões & Pensamentos

Do mesmo modo como existem contos e fábulas, esta é uma fábula científica que na verdade pode muito bem ser verdadeira, e que reflete com perfeição o comportamento humano. A banana torna-se um tabu entre os macacos, do mesmo modo como muitas teorias científicas o são antes de romperem com os paradigmas que representam.

O problema não é a Ciência, e sim quem faz Ciência... Ciência é apenas um método ou visão de mundo, tão válida quanto outras existentes. Ignorar este fato é o mesmo que a Ciência vem tentando fazer desde a sua breve existência diante de outras tradições tão antigas do conhecimento humano. Sempre que percebemos nossos julgamentos, preferências e preconceitos, evitamos a sua repetição. Pois passamos ignorando sob uma pretensiosa e falsa declaração de neutralidade, o Sujeito envolvido no Objeto pesquisado. Mas hora por que o pesquisador precisa ignorar os seus outros sentidos, que vão além da razão, como suas emoções, sensações e principalmente a intuição ??? Por que a razão é o único caminho de acesse a verdade ??? Aliás, que verdade é esta que a ciência promove ??? Que "Logos ou Cogito" é este que criamos, que nos separou e fragmentou do restante do Universo ??? Vamos refletir um pouco mais sobre isso !!! Todo experimento científico ocorre em laboratórios... certo... bem em sua maioria... nem todos... geralmente levantamos hipóteses para coisas que já supomos a resposta... se sabemos a resposta porque então a necessidade de provarmos... para que todos saibam que estamos certos... mas certos do quê ???  É possível ter certeza de algo ???

Heisenberg inaugurou nas ciências ditas naturais, até então deterministas e imutáveis tal como a gravidade Newtoniana, o principio de incerteza, ou seja, que mesmo leis naturais sob certos aspectos podem ser alteradas ou modificarem-se... Então que certeza é esta que a ciência tanto alardeia sob coisa alguma ??? Podemos reproduzir um experimento sob certas condições rígidas em laboratórios e todos  que seguirem os mesmos procedimentos, alcançarão os mesmos resultados ou chegarão muito próximos ao menos. E onde ficamos em tudo isso ??? aquele nosso toque especial na receita do bolo da vovó ??? O grande problema, é que justamente nada disso é natural... o experimento como um todo é artificial... tudo é rigidamente e milimetricamente controlado do inicio ao fim... da mesma forma como hoje sabemos... que só o fato de existir um Sujeito no experimento, de um modo ou outro... ele acabará por influenciar o Objeto pesquisado... nos conduzindo as reflexões da Física Moderna, através de suas leis quânticas, e o comportamento aleatório dos átomos... que se dividem em particulas ou ondas sempre que na presença de um Observador... Alías esta é também uma questão muito intrigante... como saberíamos que os átomos se comportariam de modo diferente quando não observados ??? Isto nos leva a questionarmos que se existisse tal neutralidade científica, não poderia haver um Sujeito que percebe a realidade do Objeto... Pois o paradoxo é que se não houver um Sujeito que percebe a realidade... Existiria então uma realidade a ser percebida ou conhecida ??? Assim somos convidados a refletir que não há como separamos o Sujeito do Objeto do Conhecimento...

Nesta ânsia em escaparmos dos excessos advindos de crenças e superstições passadas, acabamos aprisionados como pássaros que tem asas, mas não podem voar, que vêm a luz do sol, percebem as estações que passam a cada ano, mas não são livres, como outros de sua espécie soltos pela natureza. O seu mundo se resume ao que está na gaiola, e ao que pode ser percebido dentro dela, ou até onde a sua vista é capaz de alcançar. O pior de tudo, é que geração após geração... sendo criados em cativeiro, já nascemos engaiolados, e nem imaginamos, o que é ser livre. Ok !!! Há um certo conforto nisso tudo, já que estamos a salvos de predadores e mesmo de outra interpéries presentes na Natureza Selvagem... Afinal temos casa, água e comida, e como já estamos muito bem condicionados e treinados... como em uma espécie de normose ou patologia da normalidade, acabamos na maioria das vezes... por não tomar contato com tudo isso... Já que tudo seria normal para outros de nossa espécie... que não muito diferente de nós... também se encontram nas mesmas condições... ou seja Seres engaiolados e presos por Gerações a fio... Verdadeiras Mentes Aprisionadas !!!

O pior é que muitas vezes nos orgulhamos por achar que a nossa gaiola é um pouco mais larga do que a do outro, quando na verdade como os macacos desta fábula, estaríamos todos aprisionados. Falamos e sempre discursamos sobre uma Ciência Mecanicista e Materialista, mas hora... como isso é possível se nem tocamos a matéria !!! Se algum dia alguém tocar a matéria... bem sinto informá-lo mas você será outra pessoa !!! Pois os seus átomos se desagregarão, misturando-se com o do objeto tocado, e você e o objeto serão tudo... menos vocês mesmos !!! Sendo assim onde está a matéria, se tudo o que percebemos são vibrações interpretadas a partir de sinais elétricos enviados ao nosso cérebro. Nem mesmo são os olhos que vêem, mas o cérebro... Aliás, talvez nem seja o cérebro, e sim a Consciência, que percebe e decodifica as informações recebidas. Em termos mecanicistas representam a seguir o nosso Hardware e Software Cerebral !!!

É parece que a ciência acabou dando uma longa volta para se separar da Religião, mas acabou voltando ao lugar ponto de origem ao criar um nova dogma... tão válido quanto o seu antecessor... sendo seguido por Fiéis tão Fanáticos e Ardorosos quanto seus Algozes antecessores do Passado Medieval. A que preço tudo isso ??? Se podemos nos religar há uma Nova Ciência e Consciência do Holos... a uma Totalidade do Ser... pela qual Sujeito e Objetos estão tão integrados, quanto as demais funções psíquicas como: Emoção, Intuição e Sensação... além é claro da Razão, que vem sofrendo nos últimos Séculos e principalmente neste... de uma hipertrofia generalizada !!! Alías se continuarmos adiante, como todo músculo do corpo humano... quando lhe é exigido mais do que pode suportar após um treino forçado... estaremos arriscados a um sério risco de lesões... nos colocando para fora de campo... ascendendo o placar "Fim de Jogo"...

O Ser Humano Integral passa por outras dimensões além da física... é também um Ser Emocional e porque não dizer Espiritual... se tudo é Energia como nos faz crer a nova Física Moderna... então a Matéria não passa apenas de uma Energia mais densa e condensada... Sendo assim... talvez as Gaiolas pelas quais fomos aprisionados, não passariam afinal de meras Ilusões dos sentidos... Enquanto não nos apercebermos deste novo paradigma de realidade, continuaremos nos espancando uns aos outros, apenas por meras bananas sem valor aparente algum...

"Sócrates não gostava de ciências muito sofisticadas, embora as conhecesse todas. Ele dizia que o conhecimento sofisticado exige um esforço extra que tira o tempo do estudante da busca humana mais básica e importante: a da perfeição moral" Xenófanes

Namastê !