quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Metamorfoses

"Metamorfoses" do Poeta Latino Ovídio
"Não há coisa alguma que persista em todo o Universo. Tudo Flui, e tudo só apresenta uma imagem passadeira. O próprio tempo passa com um movimento continuo, como um rio.. O que foi antes já não é, o que não tinha sido é, e todo instante é uma coisa nova. Vês a noite, próxima do fim, caminhar para o dia, e à Claridade do dia suceder a escuridão da noite... Não vês as estações do ano se sucederem, imitando as idades de nossa vida? Com efeito, a primavera, quando surge, é semelhante à criança nova. . . a planta nova, pouco vigorosa, rebenta em beatos e enche de esperança o agricultor. Tudo floresce. O fértil campo resplandece com o colorido das flores, mas ainda falta vigor às folhas. Entra, então, a quadra mais forte e vigorosa, o verão: é a robusta mocidade, fecunda e ardente. Chegai, por sua vez, o outono: passou o fervor da mocidade, é a quadra da maturidade, o meio-termo entre o jovem e o velho; as temperas embranquecem. Vem, depois, o tristonho inverno: é o velho trôpego, cujos cabelos ou caíram como as folhas das árvores, ou, os que restaram, estão brancos como a neve dos caminhos. Também nossos corpos mudam sempre e sem descanso... E também a natureza não descansa e, renovadora, encontra outras formas nas formas das coisas. Nada morre no vasto mundo, mas tudo assume aspectos novos e variados... todos os seres têm sua origem noutros seres. Existe uma ave a que os fenícios dão o nome de fênix. Não se alimenta de grãos ou ervas, mas das lágrimas do incenso e do suco da amônia. Quando completa cinco séculos de vida, constrói um ninho no alto de uma grande palmeira, feito de folhas de canela, do aromático nado e da mirra avermelhada. Ali se acomoda e termina a vida entre perfumes. De suas cinzas, renasce uma pequena fênix, que viverá outros cinco séculos... Assim também é a natureza e tudo o que nela existe e persiste."
Por que há vida e morte ?
Por que o velho deve dar espaço ao novo ?

Por que semelhante gera semelhante ?

Por que há semelhanças e diferenças ?

Por que há noite e dia ?

Por que tudo muda ?

Por que a criança cresce se torna adulta, amadurece, envelhece e desaparece ?

Por que a doença nos invade e rouba-nos a força ?

Por que uma só semente cresce e multiplica-se ?

Por que nada é idêntico ?

De onde vêm os seres e para onde vão quando desaparecem ?

Por que há transformação ?

"Na natureza, nada se cria nada se perde, tudo se transforma !" Lavosier

Namastê !

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Mas afinal será este o fim ou apenas um recomeço ?

sábado, 13 de fevereiro de 2010

Direitos Humanos – Parte 1


São muitos os direitos que possuímos divididos em 30 artigos, que em 1948 foi promulgado pela Nações Unidas como a Declaração Universal de Direitos Humanos. Tal declaração nasceu em conjunto com os acontecimentos mundias da Segunda Guerra Mundial, com os abusos cometidos por ambos os lados entre Aliados e os Nazi-Facistas. Como a Bomba de Hiroshima e Nagasaki atirada em um alvo civil, como retaliação ao atentado Japonês de Pearl Harbor e o Holacausto como a solução final por parte da Alemanha Nazista que perseguiu milhares de Judeus, Ciganos, Negros e Homossexuais com o propósito de criar uma raça forte e pura Ariana, proposta também pela Eugenia. A idéia com tal declaração, seria propor uma espécie de Direito Universal e Ético, um modelo idealizado pelo qual todas as nações deveriam guiar-se, a fim de preservar a vida humana e evitar que os abusos cometidos contra a vida humana, continuassem a ocorrer no mundo, além de promover a justiça, igualdade e paz social. Algumas criticas a Declaração de Direitos Humanos são feitas, chamando-as de utópicas, românticas ou irreais, que existem apenas na teoria, e no papel, que nem mesmo países desenvolvidos conseguem assegurar tais direitos. Bem diante de tais criticas, não se trata de dizermos se os direitos são utópicos ou não, já que qualquer coisa para existir um dia foi uma utopia, uma idéia que para se tornar realidade teve de ser creditada pelas pessoas que a seguiam e acreditavam nela. Um exemplo disso era a prática escravagista na qual a existência de muitas sociedades antigas e avançadas em sua época se apoiaram, como os Assirios, Egípcios, Gregos e Romanos. Tal sistema só veio a ser rompido por volta do séc XIX, com movimentos abolicionistas iniciados na Europa, que acabaram por pressionar a América para o mesmo ente eles E.U.A. e Brasil. Segundo a ONU o ultimo País a abolir a Escravidão foi a Mauritânia em 1981 em pleno século XX, algo muito recente para se imaginar que ainda pudesse existir no mundo. Porém se sabe que mesmo hoje, novas formas de escravidão são praticados em vários países inclusive no Brasil, quando vira e mexe saem noticiários sobre fazendeiros, que aliciam seus trabalhadores rurais, cobrando aluguel pelas ferramentas que utilizadas em suas próprias terras, moradia e comida, de forma a explorá-los com dividas que não são capazes de saudar, realizadas de forma ilegal pelo empregador, além de inúmeras fazendas que também se apropriam do trabalho infantil. A escravidão continua a existir muito provavelmente em alguma nação subdesenvolvida e afastada do mundo dito “civilizado” porém trata-se de algo quando há, considerado clandestino e ilegal. Mas neste aspecto a escravidão se pensarmos em muitos séculos atrás, parecia algo utópico, impraticável, pois afetaria a economia, e não poderia se viver sem ela, no entanto aqui estamos nós “empregados” ou “sub-empregados” muitas vezes, mas ainda sim considerados “livres” e com direitos. Gandhi por exemplo foi capaz de fazer uma revolução pela independência do seu país, sob julgo do império inglês até então, sem que para isso tive-se de usar de violência, quem imaginaria que uma revolução como a da independência de um país, contra um grande império, poderia ser feito desta maneira e pela iniciativa de um homem só, que nem em uma posição de comando e hierarquia formal/oficial estava. É claro de que o mesmo não conseguiu isso sozinho, de que outra pessoas também se envolveram com a causa e foram inspiradas a segui-lo, mas sem dúvida que a sua iniciativa e o fato de acreditar que isto seria possível, que acabou por convencer uma nação de que se outros também desejassem ser a mudança que queriam ver no mundo, um mundo melhor seria possível de se viver. Assim a relevância de tal declaração, a sua existência e conhecimento dos direitos que todos nós cidadães do mundo temos é de primordial importância se desejarmos que ela se realize, assim como o abolicionismo aconteceu um dia contrariando todas as previsões, que diziam que o mesmo era utópico e impossível de ser praticado, que culminaria na falência econômica e social das potências que se erguiam e mantinham apoiadas sob tal sistema explorador, o que hoje sabemos não ter acontecido, já que todas as nações se adaptaram a uma nova realidade. Sim cabe a cada um de nós buscarmos e nos informarmos sob os direitos que temos, acreditarmos, cobrá-los e informá-lo ao maior número de pessoas, para que justamente ele se torne real.

“Todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e em direitos. Dotados de razão e de consciência, devem agir uns para com os outros em espírito de fraternidade.” Artigo 1o.

Viste este link para conhecer os 30 artigos a que você tem por Direito Universal:
http://www.onu-brasil.org.br/documentos_direitoshumanos.php

Namastê !

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domingo, 7 de fevereiro de 2010

A Máquina Humana

Desde o advento da ciência, temos assistido a uma crescente dessacralização do corpo humano, são inúmeras as comparações da ciência, do corpo humano e órgãos, como sendo um verdadeiro sistema mecânico e padronizado, como se verdadeiramente funcionássemos como máquinas, sustentadas por uma grande bateria, chamada coração. Ainda atuamos sob um paradigma Newtoniano-Cartesiano, do qual o Universo é como se fosse um relógio, e Deus o Grande Relojoeiro que ajustou os ponteiros, e de que de tempos em tempos dá a corda, para que o relógio não pare de funcionar. Esta era e ainda é a metáfora Newtoniana de Ciência Determinista, na qual todas as causas do Universo, obedeceriam a leis estritamente rígidas e controladas que forneceriam todas as respostas, para os acontecimentos naturais. A Medicina Tradicional, é uma das Ciências que mais elevou este paradigma a sua raiz cubica, elevada a oitava potência, baseando-se na alopatia a causa para a cura de todas as doenças, e na substituição de órgãos defeituosos por próteses mecânicas e funcionais. Nada contra tal visão, afinal houveram grandes avanços significativos para a Humanidade, porém há uma grande preocupação com o tratamento da doença, de combate-la e não com o Individuo que está doente ou adoeceu. Esta é a diferença da visão de uma Medicina Ocidental da Oriental, nesta outra trata-se primeiro o doente, e não a doença, pois se entende de que o individuo doente é quem manifesta a doença, e que também é quem é capaz de curá-la. A medicina de Hipócrates, pai da Medicina Ocidental, também compartilhava desta crença e visão mais holística da doença e do humano. Não sou Médico, e portanto desconsiderando polêmicas a parte, que serviram apenas de reflexão, não se trata afinal de descaracterizarmos um sistema, sobre o outro, afirmando que um é melhor ou pior, apenas acredito que seria muito bom que ambas as visões tradicionalistas e de vanguarda estivem juntas lado a lado, como irmãs e complementares umas as outras. Não se pode entender as partes separando-as, pois a totalidade sempre será maior que a sua soma pura e simples. A idéia que ainda impera hoje, é que funcionamos e nos regulamos como máquinas, máquinas biológicas, temos o processo de homeostase das células, que geram o processo de equilíbrio para o organismo vivo, portanto manter tal processo de homeostase funcionando, é o predicado de uma industria automobilística por exemplo, manterem suas máquinas e robôs funcionando, em consonância com seu empregados na linha de produção. Na visão pós-moderna de homem, não sobra mais espaço, para enxergarmos uma outra natureza mais sutil, que se interliga e conecta todos os seres vivos, o homem e a natureza. O indígena, o antigo homem do campo, as vários tribos há muito perdidas que cultuavam os deuses e a natureza, sabiam disso, dessa interconexão aparentemente invisível, não vou dizer que tais povos, não tinham um outro lado obscuro, como o do sacrifício animal ou humano, para aplacar as supostas divindades dos elementos. Porém teorias como as de James Lovelock, parecem resgatar além do nome Gaia, antes ligado a Divindade da Terra, a idéia de um superorganismo vivo, capaz de se auto-regular. É como se pensássemos que dentro de nós temos outros organismos vivos, atuando em harmonia, como uma verdadeira sinfonia musical, temos vírus, bactérias, células que desempenham cada um ao seu modo um papel, sem que para isso tenhamos que estar conscientes de sua presença ou existência. Assim estaríamos todos atuando dentro de Gaia, seriamos como outros organismos dentro dela, talvez o papel que estamos fazendo neste momento não seja dos melhores, já que estamos mais para um vírus, do que para um anti-corpo por exemplo. Mas a grande questão que desejo chamar a atenção, é que somos todos sistemas vivos, atuando sobre outros sistemas e organismos, obedecemos a um ecossistema, que como diz o Chefe Seattle, “O homem não tramou o tecido da vida; ele é simplesmente um de seus fios. Tudo o que fizer ao tecido, fará a si mesmo.” Com isso chegamos a reflexão de que a metáfora da “máquina humana” não pode ser verdadeira, pois isto implicaria que acaso o grande relógio do universo parasse de dar as horas, bastaria ao homem que lhe desse corda, ou troca-se uma das engrenagens, acertando-lhe os ponteiros, para que tudo volta-se ao normal, como sempre fora. Mas na natureza, as coisas não são bem assim, não adianta simplesmente pararmos de agredir o meio ambiente, muitas especies foram mortas, com a poluição, pesca e caça indiscriminatórias, predadores naturais desapareceram, ou seja todo o equilíbrio foi alterado, a homeostase de outrora, nunca mais será recuperada do mesmo modo como antes, nós também poluímos o nosso organismo e células, com tabaco, álcool, drogas, medicamentos, sedentarismo, stress, alimentação, hábitos de vida, pensamentos negativos. Este conjunto de fatores também provocam doenças, e mexem com o nosso ecossistema interno, se fossemos realmente uma máquina, bem deveríamos se não fossemos indestrutíveis, sermos mais resistentes do que o somos, não deveríamos nos desgastar com tanta facilidade, nem mesmo poderíamos envelhecer, talvez pudéssemos ser imortais, o sonho da atualidade da ciência, nos transformar em robôs, em seres autômatos e imortais. A vida em todo o seu explendor deve ser contemplada, admirada, vista como algo sagrado, que ocorre por razões que por maiores que sejam as explicações da ciência, nada mais são que teorias, e não a totalidade da verdade. A ciência é apenas mais um modo de explicar os fenômenos que observamos, e não o único modo de se aperceber da verdade, existem também os mitos, os ritos, os símbolos, as religiões, as metáforas e também por que não o próprio Observador que observa, criando e interagindo no seu mundo particular ou subjetivo como dirá a ciência, cujo método tenta por extirpá-lo e sacrifiá-lo em nome de uma pretensiosa neutralidade "não existente" de fato. É a partir do observado, de nossas experiências sensoriais, que o mundo como cada um de nós em seu intimo conhece, é que passa a ter forma, e propósito. O que é a realidade ? O que é a verdade ? O que é a vida ? Estas são perguntas inocentes, mas que abarcam dentro de si inúmeras respostas, ou verdades que são transmutadas através do tempo, gerações e eras. O melhor que podemos fazer é ir na contramão da ciência tradicional, e integrarmos o Sujeito que observa, do Objeto observado, um não vive sem o outro, o objeto só tem valor, porque antes de mais nada existe um Sujeito capaz de observá-lo e dizer de que o mesmo existe, e a partir do momento em que existimos, a vida passa a ter um significado, que antes não existia.

Se pudéssemos fazer uma pergunta a um robô no futuro, que imita-se o humano com perfeição, que de algum modo pode tomar consciência de sua existência, você sabe o que ele responderia ? Se pudesse ser alguém eu seria você !!! E o grande paradoxo, é que desejamos e nos caminhamos para sermos artificiais e não naturais, daquilo que nos faz justamente SER HUMANO, nossas emoções !!!

Namastê !


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Pensamos demasiadamente

Sentimos muito pouco

Necessitamos mais de humildade

Que de máquinas.

Mais de bondade e ternura

Que de inteligência.

Sem isso, A vida se tornará violenta e

Tudo se perderá.

Charles Chaplin