sexta-feira, 25 de setembro de 2009

A Tempestuosa Busca do Ser


Todos buscamos o reconhecimento, glória e sucesso. Nos levantamos todos os dias perseguindo um sentido que justifique nossas ações, algo que possa nos proporcionar um propósito de vida. Passamos grande parte do tempo exercendo algum tipo de trabalho, atividade profissional e ou oficio. Muitos dentre nós busca algo que lhe proporcione como na Hierarquia de Necessidades de Maslow, certa Segurança. A Segurança é um fator primordial sem dúvida a ser conquistado e mantido, e o “labore” ou trabalho está intimamente relacionado, já que o Ideal de Homem Pós Moderno, está estruturado em um Ser que é capaz de produzir algum tipo de “bem”. Ao não produzirmos ou deixarmos de sê-lo, somos excluídos por toda uma cadeia de acontecimentos, que vão da simples rejeição há marginalização do individuo, que é visto como um não contribuinte, por nada produzir e por extensão nada consumir. Se não produzirmos ou consumirmos, simplesmente não existimos enquanto pessoas num padrão de Sociedade Hedonista, onde o prazer do consumo está intrinsecamente ligado a noção de felicidade. Onde só se é feliz ao Ser capaz de acumular bens e produtos de consumo que lhe conferem certo Status, diferenciando-o dos demais, conforme o seu poder de consumo aumenta. A ultima e recente Crise Econômica Mundial que passamos e ainda não saímos, é produto deste descontrole implícito na idéia de quanto mais consumo, mais felicidade, e quanto mais felicidade melhor, uma felicidade que não é sustentável e portanto mantida artificialmente, tal qual como a bolha da economia que explodiu. Na Grécia Antiga a busca de todo Cidadão da Pólis era pautada pelo desenvolvimento e expressão de virtudes e propósito. Era trabalho de todo cidadão participar da vida publica da cidade, defendendo os interesses da Republica e Democracia, onde se discutiam os assuntos do Estado, que eram públicos a todo cidadão livre, que deseja-se participar. Tal Sociedade, não mais existe nos padrões antigos da virtuose grega clássica, e ainda sim não era uma Sociedade perfeita. Já que somente os homens livres participavam ativamente da vida politica, cabendo aos escravos o trabalho pesado e sujo, rejeitado pelos cidadãos da pólis, por considerarem o trabalho manual e doméstico desprovido de virtudes, e portanto desonroso. Mas há algo que nos chama a atenção e que se repete, são poucos os Artesões que ainda hoje sobrevivem de seu oficio, substituído pelas cadeias de produção em massa, iniciadas na Revolução Industrial e incrementada nos modelos Tayloristas e Fordistas de produção, onde houve uma preocupação por métodos cientificos que aprimorassem o trabalho: o controle do tempo, a economia de movimentos, a esteira rolante, a divisão e especificação do trabalho em partes, evitando o desperdício da matéria prima e favorecendo a velocidade da produção. Não sou contra o consumo, desde é claro que este seja consciente e sustentável, já que também sou produto do meio, e até mesmo considero que é necessário para o desenvolvimento da Sociedade e do Individuo, que pode Sim !!! Encontrar um propósito no trabalho para a sua existência ! Tal como os Gregos na Antiguidade Clássica ainda mantemos uma diferenciação entre o “labor” como uma idéia de um trabalho penoso e a ser evitado, e o “poiesis” termo grego que designa obra e criação. Ou seja o trabalho foi alienado da seguinte forma, temos pessoas que fazem e pessoas que pensam, e para a Sociedade Pós Moderna e do Conhecimento, o trabalho melhor remunerado é o que envolve o pensar em detrimento do fazer. Tal alienação fez com que nos separássemos do trabalho produzido pelo “Mestre de Oficio ou Artesão”, cujo trabalho até antes da "Revolução Industrial” era valorizado por ser digamos um especialista em sua Arte, onde o mesmo possuia total controle sobre todo o processo de produção “o fazer” e de como fazer “o pensar e criar”. Vivemos sob o signo da liberdade de expressão e oportunidades, que o Capitalismo proclama aos quatro ventos. Com o ideal Iluminista da Revolução Francesa, muitas Nações adotaram o lema de princípios universais “Liberdade, Igualde e Fraternidade”. Mas eu me questiono até que ponto este lema é verdadeiro e realmente ocorre ? Justificamos que se alguém advindo da periferia e marginalidade Social prospera, foi porquê esta mesma Sociedade teve a capacidade de criar oportunidades iguais a todos os seus cidadãos, mas tal proposição não passa de uma falácia, pois que não existe oportunidades iguais, como não existem pessoas iguais. Cada individuo é único, e são muito os fatores que determinam o seu sucesso ou fracasso. Para começarmos temos de conceituar o que consideramos como sucesso, se sucesso por exemplo depender apenas do acumulo de recursos materiais, então sinto informá-lo, mas poucas pessoas no Planeta realmente atingiram o Sucesso ! Se pensarmos no fracasso como tentativas que ainda não deram certo, não poderemos verdadeiramente fracassar enquanto não desistirmos. Aqui adentramos no campo do sucesso, como sendo um fator preponderante de pessoas que possuem certas virtudes, como por exemplo “determinação e paciência”. Pessoas determinadas e pacientes seriam capazes de errar e ainda sim continuarem em frente com suas metas. No exemplo que citei do individuo que vive na periferia e marginalizado, suponhamos que o mesmo se enquadre nos casos clássicos de pessoas, que não tiveram uma família nuclear e estruturada, envolto por um ambiente hostil, lhe sendo vetado o acesso a uma boa educação formal, e que pode ao final ingressar em uma boa Universidade por exemplo. O fator de sucesso que ocasionou sua ascensão social não foi proporcionado por uma Sociedade igualitária em direitos e oportunidades. Mas as suas forças internas, suas virtudes e crenças, de que seria capaz de ingressar em uma Universidade e tornar-se Doutor. O ambiente e as características herdadas genéticamente segundo os estudos da Psicologia Positiva (Ramo da Psicologia que estuda os aspectos positivos do Ser Humano) representam apenas 50% de quem nós somos, nos oferecendo uma outra margem de 50% a ser trabalhada a partir de nossas decisões e escolhas pessoais. O Psicólogo e Humanista Abraham Harold Maslow, propunha que mais importante que atingir o topo da pirâmide, em que almejamos pela auto-realização e satisfação pessoal, poderiamos através das meta-necessidades que são os anseios espirituais que independem de uma religião institucionalizada e formalizada, e sim de uma experiência interna trancedente, a qual chamava de "culminate", encontrarmos um propósito maior para a nossa existência, nos dotando de realização e propósito, independente ao nível que nos situemos na pirâmide. Como o caso do povo Hindu pobres materialmente, mas ricos espiritualmente, o que não significa que não possamos almejar sermos bem sucedidos em ambos os aspectos. Para o Psicólogo Positivo Martin Seligman estudioso dos aspectos da Felicidade Humana, exercendo uma atividade prazerosa chegamos a vivenciar estados de flow, que significa fluir, momentos os quais nos sentimos extremamente compenetrados em uma tarefa ou atividade, que nem percebemos o tempo passar. No Título deste Post a “Tempestuosa Busca do Ser” considero o Trabalho como uma das formas possíveis do "Ser e Existir no Mundo", e tal busca é "Tempestuosa", porque muitos dentre nós vivem em um estado alienante e dissociado de seu “labore” principalmente quando buscamos um trabalho objetivando apenas os ganhos secundários de retorno material e financeiro. Nos esquecendo dos nossos anseios e valores pessoais, tornando-se uma tempestade furiosa, para quem tem de conviver com algo que não se gosta ou que se faz apenas por sobrevivência, e não por realização. E para finalizar gostaria de questioná-lo: Quais são os seus valores fundamentais ? Qual o seu propósito de vida ? O que realmente é mais importante e faz toda a diferença para você ?

“Escolhe um trabalho de que gostes, e não terás que trabalhar nem um dia na tua vida.” Confúcio
Fontes para consulta: http://livroseafins.com/2008/12/09/trabalho-nao-precisa-ser-um-castigo/ e http://pt.wikipedia.org/wiki/Abraham_Maslow
Revista Ciência e Psique Especial: Psicologia Positiva

Namastê !

terça-feira, 15 de setembro de 2009

O RENASCIMENTO


Ou Renascença ocorreu por volta do fim do século XIII e meados do XVII, na Europa marcando o final da Idade Média e o inicio da Idade Moderna, que corresponde há grandes transformações nas áreas da vida humana, como cultura, sociedade, economia, política e religião, principalmente nas artes, filosofia e ciências. Caracterizando a transição do feudalismo para o capitalismo. Um movimento de redescoberta e revalorização das referências da antiguidade clássica, para um ideal humanista e naturalista. Que iniciou na Itália, nas cidades de Florença e Siena. Tendo como seus grandes expoentes artistas como Rafael e Michelangelo, famoso pelo seu afresco na Capela Cisitina e o grande gênio e cientista Leonardo da Vinci, o qual além de artista, também criou várias invenções, que apenas séculos mais tarde seríamos capazes de reproduzir. A partir das descrições do Arquiteto Romano Marcus Vitruvius onde descreve as proporções perfeitas de um Homem, Da Vinci foi capaz de interpretar e encaixar as proporções do corpo humano dentro da figura de um quadrado e um círculo, obtendo sucesso onde Vitruvius havia falhado antes. Tal simbolo, assim como o Renascimento, representa e une várias áreas do conhecimento humano, representando até mesmo o próprio Cosmos. Assim como o renascimento é uma metáfora da condição humana, de reiventar-se a si próprio, de morrer e nascer novamente, este blog também renasce, de forma a substituir o antigo, e dar espaço ao novo. Para aqueles que estão lendo agora e não entenderem nada do que estou dizendo, peço para que vejam a minha primeira postagem, intitulada de: “O Inicio” postada em julho deste ano. A principio o blog falaria em essência das áreas em que atuo profissionalmente, como Psicologia, Recursos Humanos, Coaching e Transpessoal. Porém conforme fui escrevendo, notei que o titulo anterior do blog “Psicologia Transpessoal e Coaching Holistico” não representavam mais, do que uma pequena fração dos assuntos que abordava, e mesmo de meus interesses pessoais, que são mais amplos do que isso. Eis que agora este blog renasce pela primeira vez, mas não pela ultima. Já que como Heráclito dizia, com o fluir das aguas e dos homens, nunca seremos os mesmos, nem o rio e nem aqueles que atravessaram por suas águas. Com o “Homem Vitruviano” este blog emerge com a sua verdadeira vocação filosófica, em discutir o Humano e sua expressão, nas áreas em que o Conhecimento se faça presente, relegando ao seu verdeiro Papel e Posição no Cosmos, que alguns podem criticar como uma Visão Antropocêntrica de Mundo. Porém onde se faz o Humano é impossivel, descaracterizarmos e até mesmo não valorizarmos tal atitude, que nos dota de virtudes e propósito, no intricado e cósmico jogo existencial da vida. Espero que gostem desta nova fase, e participem ativamente com seus comentários e sugestões !!! Fontes para Consulta: http://pt.wikipedia.org/wiki/Homem_vitruviano e http://pt.wikipedia.org/wiki/Renascimento.
“Nós não podemos nunca entrar no mesmo rio, pois como as águas, nós mesmos já somos outros” Heráclito

Namastê !

domingo, 13 de setembro de 2009

Um Olhar sobre o Processo de Individuação

A primeira e mais duradoura de todas as batalhas humanas foi travada em um lugar não muito distante de casa, mas nem por isso menos obscuro ou secreto, a mente ou alma humana. De lá não saíram vencedores ou perdedores hasteando suas bandeiras, mas aliados cujas forças são tão equilibradas, que resultariam em um completo aniquilamento de ambos os lados opostos do fronte de batalha. Quando os personagens envolvidos nesta batalha se dão conta de que estão participando de uma guerra, onde ambos os lados têm sofrido graves baixas, mas sem uma decisiva vitória final, que possibilite a conquista da outra margem. Acabam por elegerem um comando neutro que represente a ambos os lados, e traga o balanço das forças, o equilíbrio capaz de regular o atendimento das reivindicações destas forças que mesmo opostas, com o aprendizado do trabalho em conjunto são capazes de complementarem-se umas as outras. Trata-se da eterna luta da dualidade humana, em integrar os seus Pares de Opostos, pode-se falar em bem e mal, masculino e feminino, luz e sombras, divino e demoníaco, sagrado e profano, yin e yang e por fim Consciente e Inconsciente. Carl Gustav Jung, Psiquiatra Suíço idealizador da Psicologia Analítica ou Profunda, chamava esta batalha que todos nós travávamos em nossa Mente ou Alma, de Processo de Individuação, que em nada tem haver com a idéia de tornar-se uma pessoa egoísta ou mesquinha, ou ainda em atingir uma perfeição Nietzschiana de Super-Homem ou Além do Homem, mas trata-se em principio de um movimento de crescimento psíquico em que passamos a nos entender com as forças opostas que nos influenciam, integrando-as onde antes haviam forças fragmentas lutando por sua soberania. O Processo de Individuação pode ser observado, principalmente através dos Sonhos, no patamar do Self (representado por arquétipos como sacerdotes, velhos sábios, filósofos, magos, guias espirituais, divindades geralmente do mesmo sexo do sonhador), representa o ponto central da vida psíquica, cujo objetivo é tornar-se o Si Mesmo, indivíduos capazes de aceitarem-se a si próprios com suas inerentes virtudes e imperfeições que os acompanham. Não mais rejeitando e relegando a Sombra, aqueles aspectos rejeitados de si mesmo, representados no inconsciente através de figuras escuras e deformadas, ou ainda como demônios e monstros (geralmente de mesmo sexo do sonhador). Outras instâncias que precisam ser integradas são as da Persona, os papéis sociais que representamos para os outros (Filho, Irmão, Pai, Mãe, Amigo, Profissional e outros), que se confundem com a identidade, mas não passam de máscaras que utilizamos para o convívio Social. Além dos Arquétipos da Anima (imagem feminina no homem) e Animus (imagem masculina na mulher) que também serão confrontados e integrados a posteriori, e que sempre aparecem como sexo oposto ao do sonhador. A noção de Arquétipo postula a existência de uma base psíquica comum a todos os seres humanos, que aparecem através de mitos, contos de fadas, nas artes, na filosofia, nos dogmas e ritos religiosos, cujos temas aparecem nos sonhos de todas as pessoas, e que viabilizam a idéia de que além de um Inconsciente Pessoal teríamos um Coletivo, partilhado por toda a humanidade e nossos ancestrais. Para Jung o Processo de Individuação ocorreria em maior ou menor grau em todas as pessoas, tal como um instinto, por volta da meia idade onde se pesa as conquistas e os projetos futuros para a outra metade. Para alguns autores contemporâneos tal processo ocorreria por toda a vida, manifestando-se nos períodos que marcam o ingresso em uma nova fase de vida como: o ingresso da vida escolar, da infância para a adolescência, desta para a vida adulta, o ingresso no mundo profissional, o momento do casamento e constituição de família, ocorrendo com uma maior intensidade por volta da meia idade como descrito por Jung e próximo da morte do individuo quando atingiria o seu ápice. A idéia de um Inconsciente pode ser representada simbolicamente em um sonho como a água, o mar, o oceano dado a sua natureza que nos remete a profundidade, bem como as ondas dos movimentos de fluir. O Ego (representado nos sonhos muitas vezes como castelos, torres, obeliscos, fortalezas) é considerado como o centro da vida psíquica consciente, que emerge neste sentido entre as forças da Sombra e do Self, como forma de perceber a dinâmica dos opostos integrando-os por fim ao Self. O fato de nos tornamos conscientes do Processo de Individuação, se torna uma vantagem ao interagirmos conscientemente nesta dinâmica, resultando em um grande auto-conhecimento e como tal no descobrimento de nossas forças e também fraquezas. Tentar escapar de tal processo, apenas o torna mais doloroso, e como no conto do Médico e o Monstro nos torna refém de nossa própria Sombra, que pode emergir fora de nosso controle, ao invés de a integrarmos e a utilizarmos a nosso favor. Por fim para compreendermos a idéia do Processo de Individuação, temos de recorrer a metáforas, símbolos e sonhos, que nos remetem a Mandala que em Sânscrito significa "círculo ou circulo mágico", cujo Self representa o núcleo central da psique, a fonte da energia psíquica, que impele o individuo a tornar-se aquilo que ele é, transformando Caos em Cosmos. Ou o Opus Alquímico, a Pedra Filosofal, que transmuta em Ouro.

Os Símbolos aqui comentados não devem ser levados completamente a cabo como representações literais que se ajustam a qualquer sonho, pois cada sonho e sonhador, pode ter uma dinâmica diferente, pois se não a interpretação dos sonhos tornaria-se apenas um manual, o que seria impossível de concebermos, já que símbolos e sonhos são um processo vivo e em constante fluxo natural. Capaz de nos revelar ao estarmos atentos a sua linguagem enigmática, o nosso estado interior, e as possíveis respostas para a resolução de conflitos, que nos aproximam da Individuação. Referência: Jung Vida e Obra, Nise da Silveira
"Quem olha para fora sonha, quem olha para dentro acorda." Carl Gustav Jung

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domingo, 6 de setembro de 2009

Por uma Apologia a Sócrates

Sócrates (em grego antigo Σωκράτης, transliterado Sōkrátēs; 469–399 a.C.) Filósofo Ateniense, atraiu muitos inimigos por sua postura contestadora, ao desafiar os ditos Sábios de sua época que eram desmacarados em praça pública e rebaixados a condição de meros eruditos, cujas palavras eram reproduções de outros que não as suas próprias. Sócrates vivia apenas de sua Philosophia, do verdadeiro amor a Sofia (Conhecimento ou Saber), não formava discipulos e vivia de uma estóica pobreza e simplicidade, por recusar-se a receber pagamento por suas aulas, ao contrário dos Sofistas que viajavam de cidade em cidade vendendo o seu pretenso saber, e sua retórica que obstruiam o desenvolvimnto de normas de conduta ética e direitos igualitários a todos os cidadãos da pólis (cidade). Com a retórica os homens podiam defender pontos de vista falaciosos ou seja enganosos, mas bem articulados que os permitiam enganarem multidões. Enquanto Sócrates utilizava o saber para o bem das pessoas, para a liberdade e virtudes humanas, buscando questões profundas como: O que é o bem? O que é a virtude? O que é a justiça? Vendo supostos Sábios nas praças publicas utilizando da rétorica para enganar de forma falaciosa os homens, Sócrates sentia-se impelido por demonstrar a todos que estes de fato nada sabiam do que supostamente proclamavam saber. Não é atoa de que Sócrates atraiu tantos inimigos que tentaram desmoralizá-lo. Por fim o acusaram de desvirtuar os jovens, já que muitos dentre seus seguidores e admiradores eram filhos de proeminentes politicos de Atenas, o que ocasionava certo constragimento a esses figurões na alta Sociedade Ateniense. A outra acusação que pesava contra Sócrates era o de não aceitar os deuses do estado e introduzir novos cultos. No tribunal Sócrates logo adverte que falará apenas a verdade, apesar de não dominar a retórica daquele ambiente, e em sua defesa cita a declaração do Templo de Delfos de ser o Homem mais Sábio de toda a Grécia, por justamente afirmar “nada saber” sendo cônscio de sua própria ignorância, enquanto que seus algozes ao contrário em praça pública afirmavam saber de coisas, que em verdade nada sabiam. Por fim é senteciado a pena capital, beber da Cicuta (veneno). Com a pena recebida proclama um discurso elogioso sobre a morte, sobre o desconhecimento do homem de sua real natureza, as colocando sob duas hipóteses: a da morte ser um sonho eterno com ausência de sentidos ou a simples passagem para um outro mundo, regozijando-se com ambas as possibilidades que o aguardariam em seu post mortem. E por fim emenda "Mas já é hora de nos retirarmos, eu, para morrer, e vocês para viverem. Entre vocês e eu, quem está melhor? Isso é o que ninguém sabe, exceto Zeus." Sócrates certamente nos deixa uma grande lição, a questão de que prefere morrer por sua virtude em dizer sempre a verdade, a viver uma mentira. E certamente deve ter inspirado muitos outros homens e mulheres que morreram por dizerem a verdade. A Inquisição está cheio deles !!! Não é ao acaso que muitos até comparam Sócrates a Cristo, ambos nada deixaram por escrito, humildes, contestadores da politica de sua época, criticavam a mentira e a desmascaravam em praça publica. A relação que inclusive podemos fazer dos Sofistas sob a ótica Socrática é a mesma dos Fariseus sob a ótica Cristã. Ambos ao final, inocentes, mas culpados por dizerem verdades que incomodavam e ameaçavam aqueles que mantinham maquiavelicamente o poder !!! Hoje tais histórias são apenas lembranças de um longicuo e obscuro passado da humanidade, e não mais ocorrem nestes tempos de Pós Modernidade !!! Não é Verdade ???

Fontes para pesquisa: http://pt.wikipedia.org/wiki/Apologia_de_S%C3%B3crates e http://pt.wikipedia.org/wiki/S%C3%B3crates

“Não sou nem ateniense, nem grego, mas sim um cidadão do mundo." Sócrates

Namastê !