terça-feira, 29 de dezembro de 2009

Guerra e Paz

Este foi o meu post (Dez 09) de estreia e parceria com o blog "Circulo Teológico", confiram também o blog "Reflexões e Pensamentos" cujo pensamento e buscas são semelhantes em "caminhos" e objetivos, com este blog.

Há quantos milênios travamos guerras pessoais e santas contra outras pessoas, culturas e povos ?

Há quanto tempo temos o hábito de dizer que o nosso credo é o único e oficial escolhido por Deus ?

Há quanto tempo estamos combatendo “inimigos imaginários” quando estamos na realidade em presença de amigos ?

Somos conhecidos como uma nação de pluralidade religiosa, graças aos imigrantes advindos de todas as regiões do mundo, que com eles trouxeram seus costumes, tradições e religiões. Temos o privilégio de comungar entre cristãos, mulçumanos e judeus (entre outras religiões.. mas estas 3 em particular, tem Patriarcas em comum e um histórico de guerras e perseguições que já perdura há séculos), e freqüentarmos um a igreja do outro, coisa que em muitos países é impensável em se praticar, fruto de séculos de intolerâncias praticadas por ambas as partes. Rixas que começaram com as primeiras sociedades tribais da história. Sim... o Brasil é um exemplo hoje de ecumenismo, tolerância e sincretismo religioso. Apesar de não termos o privilégio que o Europeu possui em viajar para outros paises, como quem aqui viajaria de uma capital a outra, ou ás vezes de uma cidade a outra. Temos algo muito especial, que é motivo de orgulho para nós brasileiros, que é a nossa raça fruto de uma miscigenação de etnias diferentes, que ao contrário do que se fala não somos “pocotós” mas um povo que reuniu em torno de si, raças e culturas diferentes. Sem dúvida hoje há muito do que se orgulhar do que conquistamos enquanto nação, mas não podemos nos esquecer do eterno débito que temos com os verdadeiros “brasileiros” que aqui estavam antes de nossos antepassados, é claro que agora carregamos um pouco deste sangue nativo, que corre em nossas veias e cultura. Mas não podemos esquecer da catequização forçada a este povo “brasileiro” que tinha uma religião tão rica quanto qualquer outra tradição “importada”, mas que agora já são águas passadas. Tais povos, ao tomarem uma decisão que fosse afetar o seu ecosistema e tribo, se reuniam para decidirem sobre o impacto desta decisão em até sete gerações futuras as suas. Hoje nossas decisões não são pensadas nem em sua própria geração. O crescimento econômico e demográfico cresce de modo desproporcional e impensado, e Gaia a Mãe Terra sofre com o descaso de seus filhos, que não mais a respeitam como outrora, que há tempos, já fora por nós esquecida. Sofremos muitas vezes de uma miopia espiritual, nos orgulhamos por ir a igreja ou ao salão e reuniões, por mantermos donativos a entidades filantrópicas, e por não prejudicarmos {[(“abertamente”)]} o próximo. Muito bom que sejamos cidadões exemplares, mas o somos “verdadeiramente” eis que em muitos momentos nossa “Sombra” sem que seja convidada repentinamente emerge, e como em um surto nos moldes de o Médico e o Monstro cria o nosso inferno particular ao incorporarmos nosso Mr. Hyde, por alguns segundos, minutos ou horas. No trânsito que com nossos “carros de combate” nos digladiamos como verdadeiros guerreiros medievais, nos jogos de futebol em que soltamos a nossa “besta” interior, e de pacatos que éramos a pouco, estamos pronto para briga, quando muito retornando a nossa ancestralidade das “cavernas” de porrete na mão. Só que existe uma grande diferença nisso tudo, pois o homem primitivo pode ser chamado de violento, mas o mundo em que vivia também era violento, e muitas vezes o caçador, num outro instante já era a caça do dia. Mas demos um “salto quântico”, existem leis e regras de convívio social que asseguram a paz ou ao menos tentam, já que a verdadeira paz depende de cada um de nós. Mas em certas “festividades” nos esquecemos de quem somos “nós” ou de uma parte de nós "mais elevada" certamente. É claro que onde há luz, há trevas, não haveria de ser diferente, porém me recordo de uma metáfora “Sioux” que diz que o homem possui dentro de si dois lobos, um bom e outro mal... que tudo dependeria de qual lobo iríamos alimentar mais. Somos seres “perfeitos” sim... como todos os outros seres “criados” ou “existentes” também o são, o que não significa que não estejamos em um processo continuo de evolução material e espiritual. Como diz um ditado popular “me digas com quem andas, que te direis quem és” acho que tal parábola nos serve com uma luva aqui. Me diga qual é a tua obra ? Quais as suas escolhas de vida ? Não adianta culparmos um agente externo “material ou espiritual” pelas decisões que tomamos com o nosso livre arbítrio. Céu e Inferno, Guerra ou Paz é o que fazemos aqui e agora, neste Planeta, nesta Terra. A verdadeira “Terra Prometida”, "Paraiso", "Campos Elíseos" ou "Nirvana" pertence a todos os Homens e Mulheres, a todas as Etnias, Tradições e Religiões. A Guerra que travamos não é só a exterior ou material, o verdadeiro combate é espiritual de você com você mesmo, uma guerra travada pelo ego, que a tudo deseja possuir e conquistar.


Namastê !


domingo, 27 de dezembro de 2009

Sobre ser gente...






Concordo plenamente com a indagação do Pe. Fábio de Melo : "Quem disse que ser gente é fácil ?"
Nesses meus 30 poucos anos de vida, tanto aprendi, ou melhor "acho que aprendi", e quão infinito é o abismo que me afasta de qualquer sapiência.

Peregrinei muitos anos em busca das respostas pelas minhas indagações espirituais, conversei com pessoas, pastores, gurus, espíritos, videntes...
Busquei centros, igrejas, templos, círculos...
Li toneladas de livros, questionei pontos de vista, ri, chorei, me empolguei, desanimei, desisti, recomecei, caí, levantei...

Toda essa informação me fez perceber que a resposta estava no fundo do meu ser.
Para chegar a essa simples percepção, que de tão sutil, parece intocável quando na verdade está embaixo do próprio nariz, tive que sofrer muito.
Não apenas o sofrimento físico, mas o sofrimento mental, emocional e espiritual.
O sofrimento de todo aquele que sai do lugar comum e da vida de mediocridade e entra na difícil mas abençoada busca da própria essência.

Isso significa que encontrei as respostas ?
De forma alguma !!!

O que encontrei foi a passagem, mas ainda preciso cruzá-la, e começar mais uma nova caminhada.
Como é difícil andar na virtude quando as tentações batem ardentemente em nossa porta.
E elas sabem exatamente onde agir, sabem exatamente onde as temíveis fraquezas se escondem.

"Tenho fé, Senhor ! ajuda a minha falta de fé !"
Mc. 9:24


A grande discrepância do que "acredito como deve ser", ao que "sinto" me assusta.
Pois percebo que ao me distanciar das minhas crenças na busca da virtude e do reto agir e pensar, alimento o "lobo errado" dentro de mim...
Perceber isso e agir contra já é alguma coisa.

Algumas percepções porém, fizeram a minha existência nesse plano mais simples, uma delas foi parar de tentar achar um significado em tudo, uma boa metáfora para isso seria deixar de achar que só porque a caixa do supermercado me deu um sorriso, que ela esteja "afim" ...rs.....
Ver alguém cair de bicicleta na sua frente não tem um significado "místico", significa apenas que fulano(a) caiu na sua frente.
Essa atitude me tornou mais observador e me fez manter a boca mais fechada, o que sempre é uma coisa boa.

Uma outra percepção que me ajudou foi a de parar de achar que a velhice vai me trazer as respostas e dar termo à essa jornada.
Essa jornada transcende muitas existências (em minha crença) e vai muito além de nossa visão linear do mundo.

Essa jornada pertence a Kairós e não a Chronos....


Conclusão : Não há.... pelo menos ainda...e nem sei quando vai haver.
Até lá vou batendo contra as árvores para aprender a desviar delas.

O Vazio da Alma

Este talvez não será um post muito agradável de se ler, talvez por conta de um certo tom niilista e melancólico. Porém necessário e pertinente, já que a vida muitas vezes não é feita só de momentos felizes e agradáveis. Talvez tais momentos na verdade, sejam minoritários em nossas vidas, independente a classe social a que se pertença, o “vazio da alma” assola a todos nós, refletindo ou não sobre isso, gostaria que você agora respondesse algumas das questões abaixo. Sendo o mais sincero consigo próprio:

Você já se sentiu alguma vez vazio... uma sensação incomoda de que nada valia a pena ?

Alguma vez já comprou ou consumiu algo, para aplacar este vazio, só para perceber imediatamente depois que o seu vazio, ainda não foi preenchido ?

Já conversou com outras pessoas que disseram a você ter sentido ou estar sentido uma sensação de vazio ?

Pensou por algum momento, de que a sociedade em que vive e pela qual foi educado tornou-se vazia ou o tornou vazio ?

Você fica inúmeras horas realizando alguma atividade sem sentido, apenas para não tomar contato com este sentimento de vazio ?

Bem, se respondeu sim... para alguma das cinco questões, é bem possível que tenha vivenciado ou já esteja vivenciando agora, o famoso vazio “existencial” ou da “alma”. Todos os dias acorda pela manhã, talvez por volta das 06:00 hs da manhã, vai ao trabalho, executa sempre as mesmas e rotineiras tarefas, costuma freqüentar o mesmo restaurante, retorna para casa por volta das 18:00 horas, jantando por volta de umas 19:00 hs e preenchendo o restante do seu tempo assistindo a programação da TV, a novela, os jornais ou talvez se conectando a World Wide Web, a famosa Internet ou www, indo deitar-se por volta da 00:00, só para repetir o mesmo ritual no próximo dia. Para nos fins de semana, acordar mais tarde, poder tomar calmamente o seu café da manhã, tomar o seu banho e fazer um passeio ao Shopping, mesmo que seja apenas para olhar as vitrines e deparar-se de que não ganha o suficiente, para atender os seus desejos. Neste momento, você talvez se questione: “mas para quê eu trabalho tanto ? Para quê eu agüento o meu trabalho e chefe ? De que adianta tudo isso se não posso ser capaz de comprar o que eu quero !!! Este é um dos primeiros momentos em que nos deparamos com o “vazio”, e que nos vemos refletidos em uma imagem de nós mesmos, que não gostamos de ver menos ainda. Possivelmente respondemos de duas formas neste momento, compramos o que desejamos, justificando-se através das auto-questões acima, acerca de nosso propósito existencial momentâneo, utilizando ou daquela reserva que havíamos poupado ou usando do crediário da loja ou cartão. A outra resposta possível, seria a de retornarmos “mal humorados” e de mal com o mundo, por não termos o nosso desejo atendido, culpando a vida por não ter sorrido a nós, queixando-se de que talvez não seja “bom” o suficiente para alcançar o prestígio e status social, que lhe permitiria viver esta projetada “vida não vivida”. A verdadeira resposta é que o problema não esta necessariamente só no ambiente, ao menos sob a ótica que irei narrar a partir daqui, que não é necessário que concorde comigo, pois se trata apenas de um "mapa", e não todo o "território" abrangente da “verdade”. O ambiente entrará em jogo também mas de outro modo, pois é claro que a mídia, toda publicidade e até mesmo todo o design que se estende da arquitetura de um Shopping, até as vitrines, roupas e objetos, foram feitos com um único propósito, que não outro do que o consumo. Mas o que desejo é que pare e perceba neste momento... interiorize-se, olhe para você mesmo, faça uma pequena pausa se for necessária enquanto lê este texto... (pausa / silêncio)... então o que viu ? Nada !!! Tudo !!! Nada e Tudo ao mesmo tempo !!! Sim eu sei... é bastante confuso... mesmo entre o tudo e o nada... e a experiência de ambos em conjunto em um só som... já simbolizam o vazio que estamos sentido neste século XXI... O vazio advém em minha teoria, como um sentimento expressado por nosso estilo de vida, cujo “consumo” é a mola mestra que ao mesmo tempo desenvolve a economia e gera empregos, mas que por outro lado aprisiona as pessoas que trabalham cada vez mais e infelizes, para pagar o seu próprio e voraz consumo (muitas vezes desnecessário - apenas para aplacar o vazio - eu mesmo já fiz muito isso), que por sua vez é estimulado por toda esta cadeia de acontecimentos. Trabalhamos para comprar, e cada vez temos menos tempo para usufruir o que consumimos, ou daqueles momentos realmente prazerosos que não custam nem um centavo e de tão simples não notamos, como um Sorriso, contemplando a Natureza, o por ou nascer do Sol, que pela poluição e arranha céus, dificilmente é visto na cidade. O consumo entra como substituto “paliativo” do verdadeiro prazer, que possuíamos e perdemos, talvez não para sempre, mas cada vez mais somos “escravos” sem que assim percebamos. O pior é que o Senhor que nos comprou e aprisionou não tem rosto ou nome, não... não é o seu chefe... pois ele, mesmo que não saiba... também tem um Senhor, que o escravizou... é como um Dragão de Sete cabeças, cortamos lhe a cabeça e outra nasce em seu lugar. Nietzsche, falava exatamente sobre isso, sobre termos nos tornado uma "Sociedade de Rebanho". Não podemos culpar a ninguém, muito embora muitos sejam os culpados por tal estado de “vazio” que nos encontramos presos e amordaçados. Precisamos "urgentemente" retornar ao estado de “natureza” em que vivíamos antes. Não digo com isso retornar completamente a uma natureza “primitiva ou selvagem” muito embora o conceito de tribo, até certo ponto não nos seja estranho, em algumas de suas idéias, a da comunidade, onde nada é de ninguém e tudo é de todos. Um Socialismo perfeito, sem a existência de Estado, clãs que cultivam e extraem da Terra sem maltratá-la ou esgotá-la, o que precisam e necessitam, e praticando do escambo daquilo que possuem em abundância, com outros clãs que possuem e produzem o que necessitamos. O Socialismo já existiu a partir do Comunismo e foi tão tirânico quanto o Capitalismo, não adinata também fecharmos os olhos e dizermos que não existem as diferenças, porém tudo inicia e termina pela Educação. Existem hoje um sistema de Cooperativas, que sub-existem num mercado globalizado, mas que teriam grande valor em um modelo de Sociedade Cooperativa e Mercados de Consumo Sustentável. De que adianta todo luxo, quando não se pode usufruir do mesmo, do que adianta ser o homem mais rico do mundo, quando justamente se vicia em ser o homem mais rico do mundo, de que adianta termos as melhores roupas de grife ou jóias quando o que verdadeiramente importa é quem somos nós, e como seremos lembrados em nosso “post-mortem” !!! De que adiantam tantos desentendimentos, tantas guerras e lutas, quando estamos apenas de passagem ??? Até onde sabemos, somos os únicos seres com o “privilégio” de ter a consciência de sua finitude e morte. Um animal pode até perceber o momento da sua morte, como uma vaca diante do “corredor da morte” de um abatedouro, ou um outro animal qualquer ao tornar-se a presa do dia. Mas até o momento, o que sabemos é que só nós Seres Humanos, refletimos sobre a morte, mas quando e onde acontecerão, isso não sabemos !!! E talvez seja melhor assim... Porém por outro lado teríamos uma atitude de maior reverência e preservação da vida, se assim soubéssemos !!! Nos comportamos como verdadeiros Deuses encarnados na Terra, esquecendo apenas de nossa mortalidade física, a qual evitamos a todo custo relembrar, o que para alguns “afortunados” tratam de negociar com a Sra. Morte, ao menos em “aparência” do momento em que sua vida será ceifada. Já que de alma, este é um segredo que apenas morrendo é que se pode ter real certeza, da continuidade ou não da vida, como todas as religiões ao menos neste dois sentido concordam, a da existência de uma alma e da sobrevivência desta pós morte. De qualquer modo não altera, o que se faz aqui e agora, nesta dimensão de tempo e espaço. Nossas mentes encontram-se em torpor, dormimos para acordar, e nos esquecermos de quem somos e o que viemos fazer... talvez tenhamos permanecido por tempo de mais em nossa passagem pelas águas do "rio leito" o rio do esquecimento, não desejamos mais recordar o que aprendemos, e preferimos nos esconder de nosso propósito e responsabilidade, com algo que transcenda a si próprios. A única forma de mudarmos é acordando, deste sonho que criamos para a mente, que nos mantém entretidos por hora, sem grandes responsabilidades. A menos que se desperte esta essência de quem verdadeiramente "somos nós", estaremos relegados a continuar “mortos” em vida. E apenas sobreviver ao invés de verdadeiramente vivermos !!!

"A vida deve ser mais do que apenas brigarmos por comida ou mais um peixe.” Fernão Capelo Gaivota

Link de acesso, caso o video não rode:

http://www.youtube.com/watch?v=Nkl4qd8V_kk

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Saindo da MATRIX – Parte II

E se tudo o que você pensa que sabe ao seu respeito e do mundo estivesse errado, o que você faria ?

E se o mundo onde vive, fosse apenas uma ilusão, apenas um sonho ou melhor um pesadelo, o que você faria ?

E se você foi levado a crer, que tudo aquilo pelo qual lutou toda a sua vida, na realidade foi apenas uma mentira, o que você faria ?

Calma, você não está louco, muito menos eu... tudo o que fiz foi testar as sua reações, do quanto você está aberto a novas experiências e modelos de mundo, diferente daqueles concebidos pela maioria das pessoas. Para alguns crer em algo, é uma forma de entender o mundo que o cerca. Não há nenhum problema com as crenças, na realidade o problema começa quando passamos a nos identificar de mais, com aquilo que acreditamos. Por exemplo por muito tempo, acreditou-se que a Terra era Plana, que a Terra era o Centro do Universo, que Todos os Corpos Celestes giravam ao seu redor, inclusive o Sol, e que o Homem era o centro de todas as coisas, chamado de Antropocentrismo. Para muitos que viveram tal experiência, foi uma grande ferida narcisica em saberem que estavam errados, que tudo o que acreditaram durante milênios era ilusório e muitos homens pagaram com sangue e com a própria vida, para defender um novo ponto de vista para a humanidade. Para os Hindus o mundo seria Maya, uma ilusão, tal como um sonho, ou melhor dizendo um “pesadelo”, toda a realidade que supostamente vivenciamos, tocamos, vemos e sentimos, seriam apenas ilusões por nós criadas. É interessante que Descartes chegou muito próximo de tal pensamento, quando refletia sobre o que era real, chegando a constatação de que o Mundo poderia até não ser real, podendo ser produto de algum Demiurgo (Demônio dos Filósofos – não têm relação com o conceito de Demônio Cristão), mas que ele ao menos era real, por ser auto-consciente e se fazer estas perguntas, resumido no pensamento “cogito, ergo sun” ou “penso, logo existo” resolvendo a questão desta maneira, e provando a sua existência, mas não das coisas e objetos que o cercam. Hoje com os avanços da Mecânica Quântica (Observador influenciando a matéria) e as idéias defendidas pelo Paradigma Holográfico de Consciência por “David Bohm e Pribram” (a realidade como uma projeção, um espectro, um fantasama), retomamos novamente a questão sobre a realidade. Por exemplo, o personagem Neo, no Filme Matrix, ao Despertar após receber um tiro a queima roupa no peito, começa a ver a verdadeira realidade como ela é (letras caindo em linguagem de programação), no mundo “holográfico” criado pelas máquinas para enganarem os Humanos. Veja que o principio é o mesmo, trocamos o Demiurgo pelas Máquinas e Descartes por Neo. Outros pensadores já haviam pensado sobre a mesma coisa muito antes de Descartes. Platão explicou toda a sua filosofia, através de uma metáfora simbólica muito interessante, chamada de “Alegoria da Caverna” sobre homens acorrentados por toda a vida, tomando sombras “projetadas na parede” por realidade, até que um Homem escapa e vê a verdadeira e “luminosa” realidade da “superfície” fora da caverna. Com tal Alegoria, Platão nos corou com a mesma história, dizendo que haviam dois mundos, um Sombrio e Imperfeito, também chamado de Mundo Sensível no qual nós Humanos estaríamos presos. Havia também um outro mundo mais perfeito, de grande luz e inspiração, chamado de Mundo das Idéias, de onde tudo o que existe no mundo sensível ou sombrio, seriam cópias. Dizia que a única forma de acessar tais mundos, seria ampliando a nossa consciência, buscando o saber e conhecimento, utilizando-se da razão e do desenvolvimento das virtudes humanas. Nesta visão de Platão sobre dois mundos, Sábios, Filósofos, Artistas e Poetas seriam pessoas que estariam em maior contato com o mundo perfeito das idéias. Neo foi capaz de romper com os Paradigmas estabelecido pela Matrix, e identificar as formas sombrias em sua real e verdadeira forma, não se deixando mais por enganar pelas aparências ilusórias de outrora. Quais mudanças você estaria disposto a realizar em sua vida ? Seria capaz de encarar as Sombras da caverna escura ? Se habituaria ao mundo da Superfície ? Retornaria para a caverna a fim de libertar seus amigos dos grilhões da ignorância que se encontram presos ? Será que realmente estaríamos presos a alguma caverna tomando sombras por realidade ? Será que todas as pessoas desejam “realmente” sair de tal caverna se ela existir ? São perguntas que cabem a cada um de nós responder sozinho e para si mesmo... Com toda certeza as “repostas” obtidas podem nos servir de guia para identificarmos em qual dos mundos desejamos estar e nos situar !!!

Veja “Saindo da MATRIX – Parte I” publicado em Agosto de 09 que se conecta a este post...

“Podemos facilmente perdoar uma criança que tem medo do escuro; a real tragédia da vida é quando os homens têm medo da luz.” Platão

Namastê !

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

A Igreja na América Latina

Caros Leitores do blog SAINDO DA MATRIX. Hoje estou estreiando e retribuindo o carinho com que fui  convidado a escrever e participar de tão precioso blog. Nesta semana onde o clima natalino se faz presente, nasce um novo sol na internet e no mundo dos blogueiros, que preocupados com as questões Sociais e Antropológicas dedicam um pouco de seu tempo compartilhando com todos os interessados, questões pertinentes e indispensáveis em relação aos seres humanos, enriquecendo o mundo internáutico.  Esse sol, é a parceria entre o RODRIGO, e eu. 
Eu sou AUSTRI JUNIOR, Teólogo e Pós-Graduando em Ciências da Religião. É com muito prazer e grande satisfação que aceitei o convite do RODRIGO para dividir esse espaço, e quero registrar aqui que realmente é uma honra muito grande e uma responsabilidade enorme, o que me deixa extremamente lisonjeado. 
O texto que vocês vão ler a seguir é uma resenha acadêmica que narra alguns aspéctos da  cultura teológica da Igreja Medieval no Brasil Colônia, e culmina na contemporâneidade da Teologia da Libertação. Por se tratar de uma resenha, o texto evidentemente não é um texto rico em detalhes, o que o livra de pormenores enfadonhos e o torna gostoso para a leitura. Embora eu seja suspeito em falar, pois além de ser o autror da resenha, sou apaixonado por história, e, principalmente pela história da Igreja.
Estou muito feliz com essa parceria, e quero informar para vocês que o RODRIGO se encontra - como Parceiro, Amigo, Companheiro, Membro e ESCRITOR no meu blog, o CIRCULO TEOLÓGICO, cujo objetivo não é engessar-se na teologia enfadonha e religiosa. Mas ocupar-se das questões Antopológicas , Históricas, Filosóficas, Científicas, Culturais, Políticas, Sociais...
Se você tem afinidades com essas questões, e com outras também, e se interessar em compratilhar as suas idéias e reflexões conosco, deixo aqui o convite a todos que também queiram ajudar fazendo eco  conosco. Entre em contato comigo em circuloteologico@hotmail.com.
BOA LEITURA!  
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RESENHA
AUSTRI ROGRIGUES JUNIOR
ROSA, Wanderley Pereira da – PERCURSO TEOLÓGICO NA AMÉRICA
LATINA: ASPÉCTOS CULTURAIS – FUV, 2008. 31p.

INTRODUÇÃO
O autor retrata em sua abordagem, o percurso que a teologia medieval fez em terras Latino Americana em nome de conquistas supostamente para Deus, através do seu "representante legítimo", o papa, aqui representado pelos seus "soldados": padres, freis e bispos, que não mediram esforços quando os assuntos eram atrocidades e injustiças, bem como subjugo da fé dos povos ameríndios em nome de uma cultura, raça, fé, e religião "superiores". E para os reis de Espanha e Portugal, que como animais vampiros, sugaram não somente o sangue dos povos que aqui viviam, mas todo ouro e riqueza – embora as maiores riquezas "sugadas", tenham sido a vida e a dignidade dessas pessoas.
Wanderley Rosa analisa os aspectos culturais da época, e os fatores que motivaram os vários tipos de "extermínios" na América Latina como um todo, e nas terras TUPINIQUIN, conhecida como BRASIL. Extermínio que os invasores denominaram: DESCOBRIMENTO.
Analisa também o contexto histórico colonial e escravocrata e o quadro que se desenhou no país com a chegada do protestantismo de imigração e de missão no Brasil. Aprofundando os elementos históricos, Wanderley Rosa faz uma abordagem interessante sobre os movimentos pentecostais e neo-pentecostais onde surgem perguntas sobre a identidade do cristão brasileiro, e encerra o seu ensaio com uma abordagem – embora muito sucinta – que ele próprio reconhece, não poderia faltar em um labor teológico sério que se dispõe a discutir teologia na América Latina e no Brasil, que é a TEOLOGIA DA LIBERTAÇÃO.

ABORDAGENS GERAIS
Em seu ensaio Wanderley Rosa afirma que "a expansão geográfica e colonial européia" empreendida na América Latina por reis de Espanha e Portugal, e não somente esses, pois por aqui também passaram os Holandeses e também os Franceses, "além do forte apelo mercantil" caracterizou-se "como um projeto de dominação cultural e espiritual".
A principal estratégia foi "a demonização da religião do outro". Em suas empreitadas pelas conquistas a que se dispusera, "o europeu hispano-lusitano tem sua consciência limpa", afirma o autor; "pois, sua cruzada é contra as hostes do inferno". De conquista em conquista, os europeus civilizados, seguiram destruindo e subjugando as vidas e as religiões dos povos ameríndios por eles definidas como satânicas.
O choque cultural foi imenso. O europeu que possuía o domínio tecnológico do aço subjugou militarmente os ameríndios. Em função dessa superioridade, "supõe-se a superioridade em todos os outros aspectos: superioridade na organização social e política, no âmbito familiar, superioridade ético-moral, superioridade lingüística, superioridade religiosa, superioridade moral".
Ao analisar as colocações do autor – que é muito claro em seu ensaio – podemos visualizar o quadro sócio-cultural-religioso da época. Em nome de uma superioridade que na imaginação dos invasores era algo concedido diretamente por Deus, aldeias inteiras foram dizimadas, as mulheres eram pegas para si e ou abusadas, homens e crianças escravizados, seus costumes foram desprezados, e, nos povos foram incutida a idéia de "pecado", por andarem nus. Foram obrigados a abandonar as suas religiões: ritos e cultos, sob pena de serem mortos, por serem filhos do demônio. Foram obrigados a vestirem roupas, debochavam de sua hospitalidade, e, desprezavam a sua cultura. "Era como se o outro não existisse. Não havia história escrita. Não havia uma linguagem grafada, ‘não usam letras’".
Esse processo de colonização e subjugação dos povos ameríndios teve nome: REDUÇÃO. Nas reduções os povos eram colocados em assentamentos segundo a vontade dos dominadores. Mas houve resistência e luta o que derramou mais sangue.
"As reduções são essencialmente projetos colonialistas e, como tais, violentos de algum modo. Os povos ameríndios e, posteriormente os negros, são obrigados a abandonar seus antigos deuses e abraçar a fé cristã. Mas não fazem isso sem resistência. Assim, os missionários (e a própria religião católica, pelo menos o catolicismo que vai se instalar na América Latina) acabam sofrendo também a sutil influência da religiosidade nativa".
Não é necessário dizer que o resultado de tudo isso ainda é nítido em nossos dias. Embora muitos historiadores rejeitem a idéia de que a história se repete, podemos dizer sem medo de errar, que, a história se reproduz.
"A conquista da hegemonia marítima pela Inglaterra e a vinda da família real portuguesa para o Brasil em 1808 (fugidos das manobras de guerras e as ameaças de invasão a Portugal por parte do imperador francês Napoleão Bonaparte), deram inicio a uma radical mudança no cenário religioso brasileiro".
Fatos importantíssimos aconteceram, dando origem ao protestantismo de imigração e de missão em terras brasileiras. Foram trazidos para o país famílias para trabalhar na indústria e na lavoura. Com a "eugenia", tentativa (inútil, diga-se de passagem) de branquear a raça, D. Pedro II trouxe para o Brasil os imigrantes europeus, entre eles os alemães, que consigo trouxeram o luteranismo.
Após esses e outros fatos estabeleceram-se no país os missionários estrangeiros que trouxeram a sua fé para evangelizar o Brasil; nação pagã, uma vez que o "catolicismo não era cristão". Foram eles:
- Os Anglicanos;
- Os Congregacionistas;
- Os Presbiterianos;
- Os metodistas
- Os Batistas.
Mais tarde o retrato religioso no Brasil toma nova forma. Surge o movimento pentecostal, e, posteriormente, o movimento neo-pentecostal; que muda o quadro da espiritualidade do povo brasileiro que já não se satisfaz mais com os ritos e cultos tradicionais do protestantismo histórico.
O movimento pentecostal trás uma nova mensagem: "a conversão". Mas, continua "demonizando" a religião do outro, enquanto que a mensagem neo-pentecostal é a "teologia da prosperidade".
Entre as décadas de 1950 e 1960 surge no cenário teológico latino americano e brasileiro a teologia da libertação que "brota da reflexão de intelectuais latino-americanos que estavam por assim dizer, com um dos olhos postos na mensagem dos evangelhos e o outro na realidade sócio-econômica do povo pobre e oprimido".

CONCLUSÃO
A teologia da libertação trouxe consigo a opção pelos pobres e oprimidos, a defesa das questões sociais na América Latina e em especial no Brasil. Colocou de lado o ascetismo exacerbado buscando um olhar mais apurado para as coisas da terra, ou seja, o equilíbrio espiritual. Andou de braços dados com a pastoral da terra, movimento social da igreja católica – que em nossa introdução era a grande vilã, e, que aqui em nossa conclusão aparece com outra "cara"; porém passou-se 509 anos de histórias (histórias no plural, porque estamos tratando da História da Igreja na América Latina) – que deu origem ao MOVIMENTO SEM TERRA, o MST. É bom que fique registrado aqui, que, a teologia da libertação não é exclusividade da igreja católica romana. Há uma ala do protestantismo que trilha por esse caminho (nos incluímos nesse contexto). Aliás, a TEOLOGIA da LIBERTAÇÃO inspirou-se no EVANGELHO SOCIAL dos Estados Unidos da América, e no EVANGELHO POLÍTICO da Alemanha (que também adotamos em nossa caminhada teológica). A teologia da libertação também caminha intimamente com a PEDAGOGIA do OPRIMIDO, cujo mentor é o professor Paulo Freire (a pedagogia do oprimido é o nosso foco enquanto educador, pois é excelente fonte de cognição e alteridade).
Em nosso entendimento, entre tantas contribuições que a teologia da libertação trouxe para o contexto sócio-político-religioso latino-americano e brasileiro, foi a abertura ao PLURALISMO RELIGIOSO e ao DIÁLOGO INTER-RELIGIOSO, que sem dúvida, é muito enriquecedora e extremamente LIBERTÁRIA, embora esse assunto preocupe a muitas pessoas.
Após tantos anos de sujeição, prisão e opressão política e religiosa, a AMÉRICA LATINA precisa de uma teologia que liberte a igreja corpo de Cristo. Nós enquanto teologandos investimos no ECUMENISMO, no PLURALISMO RELIGIOSO, e no DIÁLOGO INTER-RELIGIOSO (nossos objetos de estudos e monografia do curso de pós-graduação em Ciências da Religião, da Faculdade Unida de Vitória – FUV), e na TEOLOGIA DA LIBERTAÇÃO, como fonte de RE-FLEXÃO e RE-SIGUINIFICAÇÃO da IGREJA NA AMÉRICA LATINA.

sábado, 12 de dezembro de 2009

A História das Coisas

Você já parou para pensar sobre toda a cadeia e processos envolvidos em um simples objeto que consumimos ? Não ! Então o vídeo cujo link se encontra abaixo, vem a satisfazer esta curiosidade. Agora se a sua resposta for, Sim ! Que você já sabe a origem dos produtos que consome, e como são fabricados ! Bem então este vídeo talvez sirva a você também, pois creio que ira surpreender-se, com todo o processo do inicio ao fim, de uma forma tatalmente nova, e que ninguém nunca lhe contou. Não irei prolongar-me mais, pois mais do que escrever, acredito que o vídeo cujo link menciono abaixo, já vale mais do que 1000 palavras escritas.

Apenas uma advertência, antes de assistir ao vídeo, o mesmo pode provocar uma grande mudança em seus hábitos de consumo e valores. Você pode não ser mais o mesmo, após refletir sobre o que fizemos e o capitalismo "selvagem" fez conosco !!!

Ah... o vídeo é longo... mas vale cada minuto... cada segundo... cada milésimo de segundo do seu tempo... tempo este infinitamente menor... do que os séculos ou mesmo milênios de exploração e dominação a força de pessoas, animais, vidas e eco-sistemas...

Bem vindo a esta jornada que está prestes a adentrar, se após assistir este vídeo até o fim e nada mudar... bem ao menos não poderá dizer de que “não sabia” ou era “ignorante” a escolha estará em suas mãos, daqui para a frente !!!

Leve esta idéia e mensagem adiante... divulgue este vídeo e sobretudo faça a sua parte !!!

“É válido procurarmos conhecer a que má e penosa servidão nos sujeitamos quando nos abandonamos ao poder alternado dos prazeres e das dores, esses dois amos tão caprichosos quanto tirânicos.” Sêneca
Namastê !

Clik no link para acessar o vídeo: http://www.youtube.com/watch?v=lgmTfPzLl4E

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Aprendiz de Feiticeiro

Como Mickey na aclamada obra cinematográfica Fantasia, gostamos de brincar de Aprendizes de Feiticeiros e já explico porquê. Desde que a ciência separou Sujeito e Objeto, e fragmentou o conhecimento em áreas cada vez menores, nos tornamos alienados do processo de conhecimento. Cada vez mais sabemos muito sobre pouco ou quase nada, com a hiperespecialização das ciências. Precisamos de uma ciência da consciência e com consciência, que respeite os valores humanos e os incentive, um retorno para uma Paidéia Grega, que prega o desenvolvimento de virtudes e um ensino para a totalidade. Vivemos uma agonia planetária, provocada por uma ciência que desprezou o sujeito e o ethos por de trás das pesquisas. Como Aprendizes que somos ainda, não temos mais do que 10.000 anos enquanto civilização, e a ciência é ainda mais jovem pois nem um milênio ainda completos possui. Acabamos por nos separar e desprezar nossas antigas tradições e raízes ancestrais. Sem dúvida houveram grandes avanços tecnológicos durante estes 10.000 anos, mas a que preço ? Onde foi parar a ética ? Um mundo mecanicista, cujas leis deterministas e infalíveis, não são mais possíveis de explicar a complexidade real da vida. Ao separarmos o Sujeito e sua subjetividade, desconsideramos a sua sensação, a sua emoção e intuição. Valorizamos apenas a razão, esta insuficiente para explicar a verdadeira natureza que nos cerca e da qual também somos formados. Gaia a Mãe Terra, também é um ser vivo, não nos padrões que estaríamos habituados a considerar como vivo, mas ainda sim é um sistema complexo e simbionte que abriga várias formas de vida, dentre elas nós humanos. E possui ainda a capacidade de auto-regular-se, como vem ocorrendo com as manifestações climáticas do aquecimento global, provocadas por nossas atitudes e escolhas. Tentamos dominar os elementos da Terra a força, a partir da espada, do metal e da guerra. Declaramos guerra ao planeta, no qual de simbiontes que éramos, passamos a um estado de vírus a ser combatido, da posição de amigo e aliado na antiguidade primeva, a inimigo na pós modernidade. Brincamos de Feiticeiros ao tentar dominar os elementos, mas o verdadeiro Feiticeiro não tenta dominar o elemento, ele e o elemento são unos, irmãos, amigos. O Feiticeiro utiliza a magia natural, ele sabe observar o ciclo da natureza e dela extrair o seu consumo sustentável. Ele sabe que seu corpo também é feito dos mesmos elementos que com respeito e tributo manipula e devolve para a Natureza. Sabe das conseqüências de tentar manipular sua magia a força, sabe que obedecendo as leis naturais e não corrompendo-as a sua magia cresce. Mas eis que chega o Homem Pós Moderno, que cheio de si, despreza o seu conhecimento ancestral, suas tradições e filosofias, e honra a um novo, limitado e artificial elemento produzido por ele mesmo, chamado por capital. Este novo Homem que emerge deseja dominar os astros, subjugar seu Pai e sua Mãe, Céu e Terra, dominar os elementos e subjugar todos os animais, considerados inferiores. Como já um dia a Ciência serviu de instrumento de domínio e desculpa para subjugar outros homens, escravizados e tratados como animais. Eis que o Novo Homem, acessa os livros dos Feitiços, mas esquece de prestar sua reverência a natureza, donde os elementos da magia são retirados, e cuja magia utilizada na condição de Aprendiz é usada em seu próprio beneficio. Contrariando aos ensinamentos e avisos do seu Mestre, que aguarda pelo momento do seu amadurecimento, em transmitir adiante seus segredos sobre a verdadeira Magia. O impaciente e imperdenido Aprendiz, em sua desenfreada busca por acumulo de poder, arrisca seus primeiros encantos, afim de resolver suas laboriosas tarefas, que servem na realidade de preparo e teste de caráter. Agora então nos encontramos aqui, neste clima descontrolado, calotas polares derretendo, níveis de água subindo em todo o mundo. O que fazer ? Só uma Educação que reencante o aprendizado e valorize o Humano, seguido por uma ciência que reunifique o saber e que reconsidere o Sujeito e o Ethos, será capaz de tornar Mestre o Aprendiz e resolver a Agonia Planetária que por hora nos encontramos engendrados.

"O ser humano vivência a si mesmo, seus pensamentos como algo separado do resto do universo - numa espécie de ilusão de ótica de sua consciência. E essa ilusão é uma espécie de prisão que nos restringe a nossos desejos pessoais, conceitos e ao afeto por pessoas mais próximas. Nossa principal tarefa é a de nos livrarmos dessa prisão, ampliando o nosso círculo de compaixão, para que ele abranja todos os seres vivos e toda a natureza em sua beleza. Ninguém conseguirá alcançar completamente esse objetivo, mas lutar pela sua realização já é por si só parte de nossa liberação e o alicerce de nossa segurança interior." Albert Einstein

Namastê !



terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Caminhos & Escolhas

Cito um trecho do diálogo entre o Gato e a Alice no País da Maravilhas de Lewis Caroll, que ilustrará meus comentários a seguir:

- Por favor, disse ela ao Gato, poderia me dizer que caminho devo tomar a partir daqui?
- Depende muito do lugar para onde você quer ir, disse o Gato.
- Pouco importa, retrucou Alice.
- Então, pouco importa também saber que caminho tomar, disse o Gato.
- Contanto que eu chegue a algum lugar, acrescentou Alice.
- Claro que você conseguirá, mas terá que andar muito, respondeu o Gato.

Nos vemos no dia a dia tal como a Alice, numa infinidade de caminhos a seguirmos e confusos de qual a melhor escolha. Diante das encruzilhadas da vida, esperamos encontrar com algum Gato falante, que nos indique a melhor direção a se tomar. Eis de que o Gato não nos ajuda, pois não pode oferecer novos caminhos, além dos que a Alice poderia tomar ou já conhecia. Pois o Gato não é a Alice e portanto cabe somente a Alice traçar o destino que deseja trilhar. Vivemos vidas não vividas, relegamos a terceiros a escolha do nosso destino, como Alice desejamos chegar há algum lugar, mas não sabemos exatamente aonde desejamos estar. Bastava ao Gato apontar uma direção, e seguiríamos o caminho indicado. Mas entre inúmeros caminhos qual o melhor ou verdadeiro, com as melhores possibilidades para se atingir o sucesso, a plenitude e felicidade. Nem sempre o caminho mais curto é o melhor, há vezes em que um caminho mais longo nos leva confortavelmente na direção desejada, são e salvos. Enquanto que por vezes nos desviamos do caminho escolhido, para chegarmos mais rápido ao nosso destino, ignorando os intermitentes avisos de perigo, que permeiam por todo o atalho. Muitos são os desejos e pouco o compromisso em seguir adiante com o caminho escolhido. Nos perdemos pelas encruzilhadas, nos esquecendo de fazer as perguntas certas e relevantes ao Gato. O poder de escolha se resume em saber para onde se vai, mas se não se sabe qualquer caminho serve. Mas será que tal sentença é verdadeira? Alienados ou ignorantes das escolhas que podemos fazer, outros tal como o Gato aparecem, mas diferentemente do primeiro, não tardam inescrupulosamente em nos oferecer caminhos. Aliás todos os dias somos bombardeados por todos os tipos de mídia, dizendo o caminho que temos de seguir para a felicidade, beleza e riqueza. Mas cada um segue o seu próprio caminho, não há caminhos iguais, mesmo em estradas que nos levam ao mesmo destino, Heraclitamente falando. Ao nos colocarmos como Alice diante das grandes questões da vida, permitimos que outros nos ocupem e digam o caminho que acreditam serem os melhores para nós. Entre eles alguns bem intencionados mas outros talvez não tão bem intencionados assim. Na dúvida é melhor que você mesmo escolha o seu caminho, pois ao final de tudo ninguém poderá andar com as tuas pernas a não ser Tu Mesmo. Não adiantando depois responsabilizar o Gato, por uma escolha que de certa forma sempre foi sua. Apenas você é capaz de distinguir o verdadeiro caminho que se faz caminhando e te conduz a liberdade !!!

“Caminhante, as tuas pegadas
São o caminho e nada mais;
Caminhante não há caminho,
O caminho faz-se ao andar.
Ao andar faz-se o caminho
E ao olhar-se para atrás,
Vê-se a senda que jamais,
Se há-de voltar a pisar.
Caminhante não há caminho,
Somente sulcos no mar. “

Antonio Machado (Poeta Espanhol)

Namastê !