domingo, 9 de outubro de 2011

A Pequena Onda Perdida


Certa vez existiu uma pequena onda que havia se tornado cansada, inquieta, desgastada por suas idas e vindas entre o horizonte e a costa. Um dia, ela ouviu falar sobre um Grande Oceano onde não havia perambulações inquietas à mercê da marés, onde tudo era quieto e cheio de amor. Um enorme desejo surgiu em si para encontrar este lugar pacifico, mas ela não sabia por onde começar.

“Você o caminho para o Grande Oceano?”, ela perguntava às outras ondas conforme elas passavam. Uma certa onda, uma anciã que estava muito oprimida com algas marinhas, disse-lhe: “Eu ouvi que se nós formos ondas muito bondosas e gentis, e vivermos vidas muito, mas muito boas, então quando morrermos, o Grande Oceano é onde nos encontraremos”. “Vocês estão todas iludidas, não existe tal coisa como esse Oceano”, adicionou cinicamente uma onda redemoinho.

“Ei! Venha comigo!”, chamou uma onda fresca com uma voz amigável. “Eu conheço uma onda sábia que, na verdade, esteve nesse Grande Oceano e o conhece bem. Eu vou apresentá-la a ela!” E então eles se foram.

Quando estavam saindo um onda rosnou: “Crianças doidas! Por que não estar contente com aquilo que vocês tem?”

Rapidamente elas chegam à morada da onda sábia.

“Por favor, onda sábia, você pode me mostrar o Grande Oceano?”,  suplicou a pequena onda.

“A sábia começou a gargalhar em profunda e mornas rajadas de vento que lançaram borrifos de água saltando através da superfície. “Minha criança, o que você imagina que o Grande Oceano é?”

“Eu ouvi dizer que é uma lugar maravilhoso, cheio de beleza e alegria, que lá há amor e paz eterna”, tremeu a pequena onda.

A sábia onda riu um pouco mais. “Você está buscando por este Grande Oceano, amiguinha, mas você é o próprio Oceano! Que engraçado você não estar consciente disto!”

Isto fez a pequena onda ainda mais confusa e um pouco irritada. “Como isso pode ser? Eu não vejo nenhum oceano. Tudo o que eu vejo são ondas, ondas e mais ondas!”

“Isto é porque você pensa que você é uma onda”, a sábia onda sorriu.

Com isso, a pequena onda explodiu-se contra uma rocha, ali perto em frustração. “Eu não entendo nada do que você está dizendo! Você pode ou não pode me mostrar o Grande Oceano?” Ela pressionou impacientemente.

“Está bom, está bom, amiguinha determinada”, diz a sábia onda, mas – antes que eu o faça, você se importaria de mergulhar aqui embaixo e massagear meus pé doloridos?”

A pequena onda mergulhou... E desapareceu enquanto onda.

Naquele momento, ela descobriu o que o Grande Oceano não era diferente de si mesma, e que de fato, ela era o próprio Grande Oceano – que ela estava simplesmente sonhando que era uma onda individual.

Sabendo disso, ela desfrutou do jogo da dança como cada uma e todas as ondas – em imensas e eterna Alegria. Fonte: Mooji

Reflexões
O conto acima, descreve a nossa busca heroica pelo Sagrado, pela Unidade ou Atman. O Herói parte em uma Jornada de auto descobertas, em busca de um objeto de poder, um amuleto, um conhecimento ou terra mítica. Tal como a alma  ou individuar-se ele empreende uma longa e rica jornada em busca do (des)conhecido,  ele julga que a sua busca deve estar fora de si mesmo, em algum lugar longínquo e mágico, a sua “terra prometida” que de um completo desconhecido, tornar-se alguém, um Herói, horado e conhecido, quando regresso a sua pátria. Ocorre que a Jornada impõem sérios desafios, para aquele que parte em busca do “bem amado” do Atman ou Alma Universal, ele encontra mestres e aliados pelo caminho, que o auxiliam em sua Jornada, mas em algum momento atravessaremos o limiar da morte, descemos a águas profundas, ao Hades ou Mundo Subterrâneo. A Jornada que o Herói empreende é uma Jornada de Morte... é uma Jornada que lhe custará a própria vida... pois ele terá de morrer para encontrar o que busca... mas a Jornada também é de Vida... pois ele (re)nasce... como um novo Ser... pois é capaz de resgatar o “bem amado” das trevas, e ao contrário do Grande Trovador Orfeu... ele não perderá de vista sua “Eurídice”... O Herói ao renascer de sua provação máxima, a morte... ele morre para o mundano... para o profano... ele se torna Senhor de dois mundos... ele agora (re)vive... torna-se Sábio... e descobre ao retornar a sua “patris filis”,  de volta ao ponto de origem, de que tudo o que sempre buscou sempre esteve dentro de si e não fora como supunha... toda a Jornada... foi na verdade uma Jornada de volta para a casa... de volta ao lar... de volta para o “EU SOU”!!!

PAX & LUX